Secas intensificaram-se em África nos últimos 40 anos - Plataforma Media

Secas intensificaram-se em África nos últimos 40 anos

As secas em África tornaram-se mais frequentes, intensas e generalizadas nas últimas quatro décadas, de acordo com uma nova investigação divulgada hoje pela organização não-governamental WaterAid.

Segundo a investigação, encomendada pela WaterAid, uma equipa de cientistas das universidades de Bristol e Cardiff, no Reino Unido, descobriu que a África Oriental, Austral e Central são as zonas principais críticas com secas cada vez maiores.

“Houve um aumento no número de meses secos e muito secos do ano nestas regiões africanas, bem como um aumento na percentagem da massa continental que sofreu seca entre 1983 e 2021”, lê-se no comunicado divulgado pela WaterAid.

Segundo a investigação, os cinco países mais afetados pela seca são Somália, Sudão, África do Sul, Sudão do Sul e Namíbia, que já estão em situação de escassez de água devido à aridez de suas terras.

No entanto, em zonas húmidas como a República Democrática do Congo (RDCongo), a República Centro-Africana (RCA) e os Camarões, observa-se também “uma tendência preocupante”.

“Embora estes países recebam grandes quantidades de precipitação a cada ano, as suas populações podem sofrer um impacto maior da seca na próxima década se a atual tendência continuar”, salienta a WaterAid.

Além disso, países como África do Sul, Namíbia e RDCongo registaram um aumento de até 40% na sua massa continental afetada pela seca na última década, em comparação com as três anteriores.

Leia ainda: COP27: Debater o aquecimento quando se multiplicam os avisos de catástrofe

As tendências de seca recentemente identificadas, provavelmente relacionadas com as mudanças climáticas, exacerbarão ainda mais os desafios enfrentados pelas comunidades urbanas e rurais na África, advertiu a organização.

A investigação também revela que alguns países estão a mostrar tendências opostas com inundações mais frequentes, como acontece em Angola, Quénia, Etiópia e Nigéria.

Países como Senegal, Burkina Faso e partes de Mali e Níger ficaram mais húmidos entre 1983 e 2021.

“As pessoas mais vulneráveis ​​às mudanças climáticas já estão a morrer por falta de comida e água potável. O mundo pode e deve reverter essas circunstâncias mortais”, afirmou o diretor geral da WaterAid no Reino Unido, Tim Wainwright, citado no comunicado.

A publicação do relatório acontece dias antes da reunião dos líderes mundiais na Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP27), a realizar entre 06 e 18 de novembro no Egito.

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