Cabo Verde espera “o mesmo espírito” nos acordos de mobilidade na CPLP - Plataforma Media

Cabo Verde espera “o mesmo espírito” nos acordos de mobilidade na CPLP

O Governo cabo-verdiano disse hoje esperar “o mesmo espírito” e “a mesma vontade” nos acordos de mobilidade na Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP), que não quer que seja um espaço de reuniões e de fóruns.

“Os acordos de mobilidade só têm sentido se todos os Estados tiverem com o mesmo espírito, com a mesma vontade de, efetivamente, sermos um espaço”, disse o ministro de Estado, da Família, Inclusão e Desenvolvimento Social, Fernando Elísio Freire, na sua intervenção na abertura, na Praia, do X Encontro de Escritores de Língua Portuguesa.

O ministro, em representação do primeiro-ministro, Ulisses Correia e Silva, que estava inicialmente previsto no programa, manifestou ainda a vontade de continuar a trabalhar para que o espaço lusófono seja um espaço que orgulha a todos, pondo em prática o acordo de mobilidade, lançado por Cabo Verde durante a sua presidência da CPLP (2018-2021) e aprovado há pouco mais de um ano em Luanda.

“[A CPLP] não pode ser um espaço de reuniões, de fóruns, de encontros, se lá fora, se no dia a dia (…) os cidadãos, todos os dias, não estão a sentir que está a valer a pena construir um espaço universal”, advertiu o ministro, para quem os homens da cultura têm responsabilidade de fazer a todos continuar a sonhar com este espaço universal.

“Fazer-nos continuar a sonhar, dentro da nossa insularidade, com a nossa universalidade”, frisou, em referência ao tema do encontro deste ano, que é “Insularidade e Universalidade na Literatura”.

Oito dos nove Estados-membros da CPLP já concluíram o seu processo de ratificação do acordo da mobilidade e Cabo Verde e Portugal já aprovaram alterações às leis internas para permitir a sua implementação.

“Quando assinamos um acordo, o nosso espírito tem de estar de acordo com a nossa assinatura, e espero que todos os Estados-membros da CPLP tenham o mesmo espírito que Cabo Verde está neste momento, que é de cumprimento total dos acordos”, insistiu Fernando Elísio Freire.

Leia ainda: CPLP espera que Guiné Equatorial ratifique Acordo de Mobilidade antes das eleições

Integram a CPLP, além de Cabo Verde e Portugal, também o Brasil, Timor-Leste, Guiné-Bissau, Guiné Equatorial, São Tomé e Príncipe, Angola e Moçambique.

O Encontro de Escritores de Língua Portuguesa, que reúne 25 escritores e poetas de diversos países lusófonos, presenciais e por videoconferência, é uma iniciativa da União das Cidades Capitais de Língua Portuguesa (UCCLA) e da Câmara Municipal da Praia (CMP), em parceria com a Empresa de Mobilidade e Estacionamento da Praia (EMEP), a Academia Cabo-verdiana de Letras (ACL) e a Sociedade Cabo-verdiana de Autores (SOCA).

O secretário-geral da UCCLA, Victor Ramalho, sublinhou que esta é uma edição especial, por ser de retoma depois da paragem nos últimos dois anos por causa da pandemia da covid-19, embora indicou que nesse período as 55 cidades associadas da organização tentaram manter uma relação estreita, tendo sido publicados vários livros.

O mesmo responsável garantiu que o próximo encontro deverá continuar a ser realizado na cidade da Praia, que se tornou a sua sede no âmbito de um acordo com a autarquia local.

Por sua vez, o presidente da Câmara Municipal da Praia, Francisco Carvalho, sublinhou o facto de o encontro voltar a ter como palco a capital cabo-verdiana, que está numa fase de retoma, e o contributo que tem dado na promoção do município e da cidade da Praia.

Ainda no âmbito do evento, que decorre durante os próximos três dias, haverá outras atividades como visita a escolas, feira do livro, apresentação de revistas e livros e tertúlias.

Após a sessão de abertura, foram ainda apresentados os livros de dois dos vencedores do prémio de revelação literária da UCCLA – Câmara Municipal de Lisboa de 2022, nomeadamente “Caligrafia”, (texto de poesia), de Alexandre Siloto Assine, e “Três Dias em Fevereiro”, romance de Ricardo Ferreira de Almeida.

Durante os três dias, vão ser abordados outras temáticas como Literatura e Sociedade – Inclusão e Património, Vozes Femininas na Literatura, Políticas e temáticas da literatura contemporânea lusófona e Processos de criação Literária e de Edição.

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