O mal-amado Carlos sucede à "rocha" britânica Isabel II - Plataforma Media

O mal-amado Carlos sucede à “rocha” britânica Isabel II

A notícia da morte surgiu às 18h30, exatamente seis horas depois de um comunicado do Palácio de Buckingham ter anunciado que “os médicos da rainha” estavam “preocupados” com o seu estado de saúde. Foi o tempo de os seus familiares mais próximos viajarem de avião para o castelo de Balmoral – o refúgio de verão na Escócia – e reunirem-se junto do leito régio, onde a monarca de 96 anos “morreu em paz”.

Foi o tempo, também, para se preparar o país para o “choque gigantesco”, como disse a última chefe de governo indigitada por Isabel II, Liz Truss. Morta a rainha, como dita a tradição do sistema monárquico, o primeiro na linha de sucessão, o filho mais velho, tornou-se no novo chefe de Estado do Reino Unido mas também, manifestação da singularidade britânica, de outros 14 estados independentes.

Em outubro do ano passado, Isabel II e o filho primogénito plantaram uma faia no lançamento da campanha do jubileu, os festejos dos 70 anos de reinado, depois de ter sucedido ao pai, Jorge VI. (A propósito, os media britânicos contabilizam 1500 árvores plantadas pela rainha, em cerimónias, um pouco por todo o mundo).

A partir daí apareceu em público fragilizada, quando não cancelou os compromissos públicos. No dia 12 de outubro foi vista pela primeira vez a andar com a ajuda de uma bengala. Nesse mesmo mês esteve internada uma noite num hospital de Londres, tendo sido aconselhada a “abrandar o ritmo”.

No início do ano visitou a exposição de flores de Chelsea num carrinho motorizado. No mês seguinte, foi infetada com covid, doença que mais tarde admitiu tê-la deixado “exausta”. O Palácio de Buckingham disse apenas que a rainha sofria de “problemas de mobilidade episódica”. Com o passar dos meses foi-se afastando das cerimónias, do discurso (escrito pelo governo) que marca a abertura do ano legislativo ao desfile militar que assinala o seu aniversário.

O declínio da saúde de Isabel II deu-se pouco depois da morte, em abril, do seu marido Filipe, duque de Edimburgo, aos 99 anos. Como cantava Morrissey, em 1986, no famoso tema dos The Smiths The Queen is Dead, “Life is very long when you”re lonely” (a vida é muito longa quando se está só).

Quem seguia o debate sobre a crise energética na Câmara dos Comuns apercebeu-se de que algo não estava bem. Momentos antes do inusitado anúncio do boletim médico da monarca, o ministro Nadhim Zahawi sentou-se junto da nova primeira-ministra e entregou-lhe uma nota. Pouco depois foi a vez do líder da oposição também ser notificado. E ambos abandonaram a Câmara. Liz Truss escreveu no Twitter uma mensagem a preparar para o pior: “Todo o país ficará profundamente preocupado com as notícias do Palácio de Buckingham.”

Por motivos de saúde, Isabel II recebeu em audiências Truss e o primeiro-ministro cessante Boris Johnson em Balmoral. Foi o último ato da soberana. Na quarta-feira, cancelou a participação numa reunião com os conselheiros políticos.

Com o agravamento do estado de saúde, todos os filhos da monarca, o então herdeiro ao trono príncipe Carlos, de 73 anos, a princesa Ana, de 72, o príncipe André, de 62, e o príncipe Eduardo, de 58, ou estavam em Balmoral ou dirigiram-se para lá, o mesmo tendo acontecido com os netos William, de 40 anos, e Harry, de 37.

Durante a tarde as emissões televisivas mudaram para um tom solene e fúnebre, com os jornalistas e comentadores já vestidos de luto. Populares juntaram-se em frente ao Palácio de Buckingham, apesar de lá não estar qualquer membro da família real. A notícia do falecimento foi tornada pública às 18h30, mas aconteceu horas antes. A primeira-ministra foi informada às 16h30.

Poucos minutos depois do anúncio oficial, Liz Truss, que poucas horas antes entrara sorridente no número 10 de Downing Street, prestou tributo à porta da residência e gabinete oficial do chefe do executivo. “Estamos todos devastados com as notícias que acabámos de ouvir de Balmoral. A morte de sua majestade a rainha é um enorme choque para a nação e para o mundo. A rainha Isabel II foi a rocha sobre a qual o moderno Reino Unido foi construído. O nosso país cresceu e floresceu sob o seu reinado. O Reino Unido é o grande país que é hoje por causa dela”, disse a líder conservadora, que terminou o discurso com um “Deus salve o rei”.

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