Papa Francisco: “Na administração da Igreja faltavam mulheres” - Plataforma Media

Papa Francisco: “Na administração da Igreja faltavam mulheres”

O Papa Francisco considerou esta segunda-feira, 5 de setembro, que “faltavam mulheres” na administração da Igreja e salientou que a sua escolha para várias funções na Cúria “não é uma moda feminista”, mas sim um ato de justiça

“Na administração normal da Igreja faltavam mulheres”, reconheceu o Papa, na segunda parte da entrevista à TVI e CNN Portugal concedida em agosto no Vaticano.

Segundo salientou o sumo pontífice, a entrada de mulheres na Cúria não é uma “moda feminista”, mas sim um “ato de justiça que, culturalmente, tinha sido posto de lado” na Igreja Católica.

O Papa adiantou ainda que o reforço da presença das mulheres na Igreja já “vem dos últimos 20, 30 anos e lentamente vai-se implementando”. Em janeiro do ano passado, o Papa Francisco mudou o Código de Direito Canónico autorizando as mulheres leigas a ler a palavra de Deus, a ajudar no altar durante as missas e a distribuir a comunhão, deixando de fora a possibilidade do sacerdócio. Porém, formalizou assim algo que já acontecia na prática, deixando de lado a ordenação de mulheres, o que causou polémica à data.

Dois anos anos, em julho de 2019, a especialista em assuntos femininos na Igreja, investigadora e professora em Religião, nos Estados Unidos da América, Phyllis Zagano, acusava, em entrevista ao Delas.pt, os “ignorantes” da Igreja por estarem a travar um direito que as mulheres tiveram até ao século XII: o de serem ordenadas diáconos. Sendo um dos 12 elementos que compuseram a Pontifícia Comissão para o Estudo do Diaconado das Mulheres, criada em maio em 2016 pelo Papa Francisco, Zagano ia mais longe e afirmava: “Acho que as mulheres diácono nas sacristias teriam travado uma grande parte da pedofilia, eles não teriam incomodado as crianças“.

Porém, o Papa Francisco deixou mesmo de fora a possibilidade de as mulheres vieram a exercer o sacerdócio. Neste “motu proprio” é revisto o documento de São Paulo VI “Ministeria quedam” (1972), que só permitia aos homens receber os ministérios do Leitorado e do Acólito. O leitor é responsável pela leitura da Palavra de Deus nas cerimónias, enquanto o acólito auxilia o diácono e o sacerdote no altar e também pode distribuir a comunhão, entre outras funções.

Leia também: Papa nomeia Raffaella Petrini à frente do Governatorato, a primeira mulher da história

Em julho de 2022, o Papa nomeou três mulheres como membros do Dicastério (ministério) para os Bispos, uma decisão alinhada com a sua intenção de dar maior visibilidade e liderança às mulheres na estrutura dentro da Igreja, informou na altura o Vaticano.

Francisco apontou o exemplo das nomeações que fez, recentemente, para o Conselho para Economia do Vaticano, composto por seis cardeais e seis laicos e presidido por um cardeal.

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