Reserva financeira de Macau de 74 MME "não é abundante", deve-se usar com cautela - Plataforma Media

Reserva financeira de Macau de 74 MME “não é abundante”, deve-se usar com cautela

O chefe do Governo de Macau avisou hoje que a reserva financeira “não é abundante” e “é preciso ter cautela” na sua utilização para financiar apoios face à crise económica causada pela pandemia de covid-19.

No parlamento local, questionado pelos deputados sobre as medidas de apoio público à população e às empresas, Ho Iat Seng sublinhou que hoje “a economia é uma incógnita”, lembrando a incerteza que se vive a nível mundial.

Segundos os últimos dados da Autoridade Monetária de Macau, a reserva financeira do território é de 613,02 mil milhões de patacas (74,08 mil milhões de euros).

O montante cresceu em 2020 e em 2021, mesmo num cenário de crise, mas o Governo foi obrigado a recorrer à reserva financeira em mais de 100 mil milhões de patacas (12 mil milhões de euros) para financiar apoios à população e às empresas, ora com a distribuição de dinheiro para consumo no comércio local e benefícios fiscais, ora com a abertura de linhas de crédito.

Em junho e em julho, as autoridades anunciaram um total de 20 mil milhões de patacas (2,42 mil milhões de euros) para custear nova ronda de ajudas.

A utilização de metade desse montante está ainda por definir. A Associação Comercial Geral dos Chineses de Macau sugeriu que fosse distribuída uma verba, disponibilizada em cartões de consumo, a trabalhadores não-residentes, afastados de qualquer apoio governamental ao longo da pandemia.

O chefe do Governo expressou reticências sobre a possibilidade e lembrou que o executivo não tem de aceitar todas as sugestões apresentadas, numa sessão em que procurou sublinhar os esforços governamentais em garantir apoio prioritário aos residentes e trabalhadores locais.

Cerca de 80% das receitas do Governo de Macau provêm dos impostos sobre a indústria do jogo, que vive uma crise sem precedentes desde janeiro de 2020.

Sem turistas e com o mercado de grandes apostadores a afundar-se, devido às restrições fronteiriças no território – que segue a política de zero casos da China continental -, e ao controlo de fluxo de capitais imposto por Pequim, os casinos têm acumulado prejuízos significativos.

Um resultado com impacto profundo na economia de Macau, cuja taxa de desemprego praticamente triplicou em comparação ao último ano pré-pandémico no território, muito dependente do turismo e do mercado da China continental.

Ho Iat Seng marcou hoje presença na AL para responder a perguntas dos deputados “sobre as Linhas de Ação Governativa e assuntos sociais”.

Este artigo está disponível em: English

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