Diversificação económica de Macau: Um osso duro de roer - Plataforma Media

Diversificação económica de Macau: Um osso duro de roer

As empresas de jogo em Macau ainda têm muito pela frente até diversificarem as suas fontes de receita, estando até atrasadas face a outras operadoras internacionais. Especialistas na matéria dizem que para lá se caminha, mas as estimativas para a próxima década não permitem sonhar muito alto

Fora do jogo, as operadoras locais já oferecem vários serviços, tais como hotéis, restaurantes e comércio. Em outras partes do mundo, algumas oferecem serviços de gestão dos casinos ou de desenvolvimento imobiliário, caso dos Estados Unidos e Austrália, respetivamente.

Leia também: O papel da Lusofonia na diversificação económica de Macau

Zeng Zhonglu, um dos autores do estudo “Diversidade do sector do jogo de Macau: Ponto de vista com base na comparação das empresas”, explica ao PLATAFORMA que as práticas mencionadas anteriormente não são adequadas para o contexto local e que existem vários obstáculos à diversificação do setor em Macau.

Não obstante, evidencia a tendência positiva no sentido da diversificação, até para que a cidade possa, efetivamente, ter “centros de lazer”.

MACAU TEM “BASES NECESSÁRIAS”

Devido às limitações legais, bem como o peso da indústria no emprego local e receita fiscal, a direção destas empresas deve passar pela diversificação, considera o membro do Centro Pedagógico e Científico na Área do Jogo e do Turismo. “O desenvolvimento de atividades de entretenimento e consumo de serviços não relacionados com o jogo dentro de casinos transformará os locais em centros de lazer”, afirma Zhonglu.

Leia também: Primeiro objetivo da cooperação em Hengqin é diversificar economia de Macau

Ji Chunli, coautor do estudo, também acredita ser esse o caminho a seguir, citando exemplos como o Banco DBS, que investiu no campo da tecnologia, ou do hipermercado Walmart, que agora oferece serviços médicos.

Em Macau, identifica “algumas vantagens” das operadoras no desenvolvimento da indústria de ‘big health’, devido ao “elevado número de quartos, gestão e serviços que são capazes de oferecer”. Em suma, defende que Macau tem “as bases necessárias” para apostar na diversificação.

PRINCIPAL FONTE DE RENDIMENTO NÃO MUDA

As 15 empresas de capital aberto com maiores lucros operacionais continuam a ter o jogo como principal fonte de rendimento (mais de 50 por cento, apesar da tendência descendente), de acordo com o “Estudo comparativo da lucratividade e do modelo de desenvolvimento das empresas do jogo do mundo – Análise a 15 empresas de capital aberto”.

As operações em Macau não fogem à regra. Já no ano passado, em agosto, Zeng Zhonglu tinha referido ao ALLINMEDIA que a probabilidade de outras fontes de receita ultrapassarem a do jogo era baixa, visto que o investimento nessas áreas caiu drasticamente devido ao prejuízo registado durante a pandemia. Apesar dos esforços, a proporção de receita extra jogo em Macau apenas cresceu entre seis a sete por cento nos últimos anos.

Estima-se ainda que, caso a tendência se mantenha, a próxima década só trará um crescimento de 10 por cento. Zeng Zhonglu refere ao PLATAFORMA que é necessário reestruturar os casinos para que possam atrair clientes não relacionados com o jogo, acrescentando que “o desenvolvimento de serviços não relacionados com o jogo não têm de significar uma redução das apostas”. O estudo ainda revela que a receita das máquinas de slots em outros países é superior à de Macau, que ainda depende das mesas.

Ji Chunli afirma que a aposta nesta área pode, inclusive, atrair um público mais jovem. “Em termos de desenvolvimento futuro, Macau deve dar mais ênfase ao desenvolvimento dos do mercado de massas. Mercados como o das máquinas de slots devem também ser fortalecidos. Existe espaço para tal”, comenta.

Leia também: Casinos de Macau perdem 600 milhões de dólares todos os meses

MERCADO DITARÁ RESULTADOS

No que diz respeito à proporção entre jogo e outros serviços, os dois académicos acreditam que não deve ser definido um objetivo claro.

Há um ano, Zeng Zhonglu já defendia que as novas concessões de jogo teriam requisitos para serviços não relacionados com o jogo e que os critérios não deveriam ser específicos ao ponto de estabelecer percentagens fixas. Na sua opinião, se os valores estipulados forem baixos, então a transformação económica não será relevante, ao passo que se for demasiado alto, as empresas não serão capazes de atingir esses objetivos.

No fim, a força de mercado acaba por ser superior à vontade do Governo, explica, defendendo alguma flexibilidade na definição de metas.

Chunli é mais radical, reiterando que a saúde de uma empresa não é determinada pela proporção que consegue atingir entre atividades de jogo e não relacionadas. O que interessa é a sua capacidade para trazer receitas.

Leia também: Normalização de viagens pode trazer retoma rápida das receitas do jogo em Macau

“Não sou da opinião que uma empresa com uma proporção alta de jogo é menos saudável do que outra com uma proporção mais baixa. Não é um critério que deva ser utilizado. Desde que a empresa consiga evoluir, trazer uma maior receita fiscal à cidade, ajudar a resolver os atuais problemas de emprego e criar riqueza, desde que uma empresa consiga gerar receita, então é considerada relativamente saudável”.

Este artigo está disponível em: 繁體中文

Assine nossa Newsletter