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Autonomia e responsabilidade

Um adolescente, ainda que forte e robusto, quiçá mesmo bom pensador, não é ainda assim autónomo. Esse estágio já implica ideias sobre si próprio, ambição de projeto e capacidade de execução.

A maturidade confirma-se quando, mesmo amparado, ou conduzido, se aceita que a tutela ou a autoridade não impedem a autoconstrução. Uma autonomia proporcional à sustentabilidade e potencial de crescimento daquela alma. Mas não é o que Macau mostra.

Pelo contrário: os sinais são de imaturidade. É até normal.

Uma cidade tão pequena, séculos debaixo da tutela portuguesa, viveu duas décadas de transição dourada, suave e próspera.

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Adormeceu… e acorda agora sem saber, de facto, ser responsável por si. Há bloqueios estruturais na jovem Região, mais profundos que a autoridade da Mãe Pátria ou o contexto da crise.

A capacidade de ser autónomo não depende apenas da Lei Básica – ou da sua interpretação. A realidade é o regresso a uma China que hoje é o que é. E ser maduro é gerir essa relação com o Poder Central, abraçando o lado positivo, contornando o negativos. Mas para isso é preciso crescer.

Os governos não são agentes exclusivos do crescimento económico, social e político. Mas dão exemplos, legislam, abrem umas portas e fecham outras. Ho Iat Seng precisa de mostrar o empreendedorismo e a experiência que alegou ao candidatar-se ao cargo.

Macau precisa dele; e sabe que não há espaço para discutir lideranças. Empresas, universidades, Função Pública… e a sociedade civil em geral, precisam de uma liderança forte que perceba que integrar-se na China, é também crescer, dar provas de maturidade, e de mérito para o exercício responsável do alto grau de autonomia.

Muito mais do que um direito constitucional, é uma responsabilidade que não tem o direito de alienar.

*Diretor-Geral do PLATAFORMA

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