Biden discutirá eleições 'livres' com Bolsonaro - Plataforma Media

Biden discutirá eleições ‘livres’ com Bolsonaro

O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, enfatizará a importância da realização de eleições livres em encontro em Los Angeles com o presidente brasileiro Jair Bolsonaro, que tem posto em dúvida a urna eletrônica, informou um assessor do mandatário americano nesta quarta-feira (8).

Os governos dos dois países confirmaram que Biden manterá seu primeiro encontro com Bolsonaro na quinta-feira em Los Angeles. A reunião acontecerá à margem da Cúpula das Américas, na qual os Estados Unidos se propõem a defender a democracia na região.

Ao ser questionado se Bolsonaro se ressentiria de falar sobre as eleições de outubro no Brasil, Jake Sullivan, conselheiro de Segurança Nacional do presidente americano, disse que “não há restrição de tema em nenhum encontro bilateral do presidente, inclusive com o presidente Bolsonaro”.

“Posso adiantar que o presidente discutirá eleições democráticas abertas, livres, justas e transparentes”, disse Sullivan aos jornalistas a bordo do avião presidencial Air Force One.

Bolsonaro, um apoiador declarado do ex-presidente americano Donald Trump, tem questionado, sem provas, o sistema de voto eletrônico no Brasil.

O presidente brasileiro também questionou os resultados das eleições americanas em 2020, quando Biden derrotou Trump, e foi um dos últimos líderes mundiais a reconhecer a vitória do democrata no pleito.

Ontem, Bolsonaro voltou a falar sobre as últimas eleições americanas durante entrevista ao SBT News.

“Quem diz [sobre fraude nas eleições] é o povo americano. Eu não vou entrar em detalhes na soberania de outro país. Agora, o Trump estava muito bem. E muita coisa chegou para gente que a gente fica com pé atrás. A gente não quer que aconteça isso no Brasil”, afirmou o presidente brasileiro, que deve chegar a Los Angeles na quinta-feira.

Questão ambiental

A questão ambiental também será abordada no encontro, acrescentou Sullivan, no momento em que o Brasil se encontra no olho do furacão pelo desaparecimento do jornalista britânico Dom Phillips e do indigenista brasileiro Bruno Araújo Pereira, que trabalhavam juntos na região do Vale do Javari, na floresta amazônica.

Ambientalistas, jornalistas, políticos e membros da sociedade civil expressaram consternação com este desaparecimento e continuam pressionando o governo brasileiro a não poupar esforços para encontrá-los.

O Brasil concentra em seu território a maior parte da floresta tropical, e Bolsonaro é favorável à exploração comercial da mesma, uma posição que é amplamente criticada por ambientalistas e que gerou tensões com outros líderes mundiais no passado recente, entre eles o presidente francês, Emmanuel Macron.

Fontes do Itamaraty afirmam que a reunião com Biden terá duração de meia hora. 

A reunião será um dos destaques da Cúpula das Américas que está caracterizada por ausências notáveis como as do presidente mexicano, Andrés Manuel López Obrador, que se recusou a viajar em represália pela exclusão de Venezuela, Cuba e Nicarágua.

Diante do risco de uma reunião esvaziada, Washington enviou há semanas um enviado especial a Brasília para conversar com Bolsonaro sobre a importância do evento.

Os detalhes do restante da agenda de Bolsonaro em Los Angeles não foram divulgados por sua equipe, assim como as horas precisas sobre a chegada e a partida, argumentando motivos de segurança.

Depois de participar da Cúpula, na qual deverá discursar na sexta-feira, Bolsonaro partirá para Orlando, na Flórida, para a inauguração de um consulado.

Fontes do Itamaraty acrescentaram que o presidente brasileiro tentará manter encontros com representantes do Partido Republicano na Flórida.

De acordo com as últimas pesquisas, Bolsonaro está em segundo lugar na preferência dos eleitores brasileiros, atrás do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

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