Abordagem diversificada para o problema do desemprego - Plataforma Media

Abordagem diversificada para o problema do desemprego

De acordo com os dados estatísticos do último ano, cerca de 60 por cento da população desempregada precisou de quatro meses ou mais para encontrar trabalho. O atual programa de formação subsidiada do Governo não é suficiente para resolver o problema do desemprego e deve por isso ser complementado com medidas adicionais.

Em regiões vizinhas, como Hong Kong, em resposta à reestruturação económica e ao desemprego, foi criado há alguns anos o ERB (Employees Retraining Board). Este programa oferece uma certificação profissional e programas de formação à população numa série de áreas, de acordo com as necessidades do mercado.

Existem vários casos de sucesso na transição segundo este programa, nomeadamente de pessoas que iniciaram atividade como assistentes de fisioterapia ou de terapia ocupacional. O Executivo deve tomar nota destas medidas implementadas em regiões vizinhas e desenvolver programas de certificação de formação e ascensão profissional
com instituições de educação. O objetivo será o de criar talentos necessários na diversificação das indústrias, em áreas como o comércio online transfronteiriço, serviços de saúde focados na prevenção pandémica, segurança social e apoios a idosos e crianças, especialmente nas quatro novas indústrias de Hengqin.

O desenvolvimento de talentos é crucial para desenvolvimento de uma economia diversificada.

Tanto para pessoas de meia-idade como para recém-formados, devem existir sistemas de transição e articulação de carreiras para resolver a questão do desemprego.

Considerando que o período de formação pode ser relativamente longo, é proposto que o período de auxílio seja alargado a nove meses, para aliviar a pressão financeira dos
desempregados durante a sua formação. O Governo deve ainda considerar estender os atuais 90 dias de subsídio de desemprego para meio ano, além de suspender a restrição de recandidaturas dentro do período de um ano.

Desde que assumiu funções, o atual Executivo tem implementado e continuado a desenvolver uma série de medidas. Todavia, ao enfrentar vários fatores externos negativos, como a pandemia, guerras e estagflação global, é compreensível que Macau sofra agora dificuldades sem precedentes, sendo mais urgente que nunca a diversificação da sua
economia.

É por isso crucial que os oficiais e líderes responsáveis pela criação destas medidas tenham um sentido de urgência e crise, sem uma atitude demasiado otimista, visto que a situação atual já não permite a postura conservadora e indecisa do passado. Por um lado, devem ser ouvidas as opiniões de profissionais e membros da comunidade dos vários setores para permitir que o mercado absorva os choques do processo de ajuste da indústria do jogo e impedir o seu impacto no sistema financeiro e na taxa de desemprego.

Assim, a estabilização da economia em Macau terá prioridade. Por outro lado, é preciso usar como referência o facto de várias províncias e cidades no Interior da China terem implementado medidas semelhantes para lidar com a recessão económica, sem permitir políticas contraditórias e incentivando programas mais proativos de estímulo à economia a longo prazo.

Macau deve olhar para estas experiências e assumir uma atitude ousada e decisiva no seu ajuste e na sua promoção política.

Como se costuma dizer, “os riscos são oportunidades”. O país já ofereceu muitas chances para o desenvolvimento industrial diversificado de Macau, através de Hengqin, com uma direção clara e definida pelas quatro novas indústrias. Isto torna promissor o futuro desenvolvimento diversificado de Macau.

O Governo e os seus departamentos devem fazer um esforço significativo para ajustar e romper com os limites criados pelas suas leis e regulamentações, inovando para garantir um fluxo de pessoas, bens, informação e capital capaz de abrir estas “quatro veias” entre as duas regiões.

Serão estas a criar uma base sólida para a diversificação das indústrias locais e mais trabalho em Macau, resolvendo verdadeiramente a crise do desemprego.

*Deputada da Assembleia Legislativa de Macau/Aliança de Sustento e Economia de Macau

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