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Mercado unificado é vital para recuperar dos surtos

A China enfrenta um novo surto pandémico, devido ao aumento de infeções em Xangai e na província de Jilin. Embora seja importante adotar medidas rigorosas de prevenção e controlo (se necessário implementando confinamentos) para conter o ressurgimento do vírus – especialmente a variante Ómicron que é mais contagiosa -, é igualmente importante que os governos locais assegurem que as medidas tenham repercussões mínimas sobre a atividade económica.

Para impulsionar a economia, a primeira prioridade centra-se em torno da prevenção das infeções. Neste respeito, a política de limpeza dinâmica (assente na prevenção
local) da China tem-se revelado altamente eficaz. É verdade que tomar medidas rigorosas para controlar a epidemia pode prejudicar a economia, mas deixar o vírus propagar-se ainda mais, ao não tomar as medidas adequadas, irá piorar a situação.

No entanto, Wu Zunyou, epidemiologista chefe do Centro Chinês de Controle e Prevenção de Doenças, salientou que a política dinâmica de casos-zero não significa necessariamente que não haja casos de infeção, ou que se requeiram testes em massa, ou que se encerre toda a cidade.

O mundo está a tentar encontrar um equilíbrio entre o combate ao vírus e a revitalização da economia. Uma vez que o número de casos e mortes, bem como os sistemas e valores sociais, variam de um Estado para outro, a China deve continuar com as suas medidas antipandémicas testadas e comprovadas ao invés de tentar copiar exemplos de outros países.

Dados os surtos em todo o país, especialmente nas regiões do Delta do Rio Yangtzé e do Delta do Rio das Pérolas, (as duas regiões mais avançadas economicamente) será difícil para a China atingir 5,5 por cento de crescimento do PIB para este ano.

Por exemplo, Xangai tem estado sob bloqueio devido ao surto. As restrições à circulação de pessoas e veículos vão prejudicar a economia. Porém, a longo prazo, os impactos negativos não serão demasiado nocivos.

Graças a mais de quatro décadas de reformas e abertura, a China tornou-se a segunda maior economia do mundo e uma potência transformadora. Também construiu cadeias industriais completas e está a caminhar para um desenvolvimento de alta qualidade, para o qual tem aderido ao paradigma de desenvolvimento de “dupla circulação” e trabalhado para impulsionar a “circulação interna” ou a economia doméstica.

Graças a estas vantagens, a economia recuperará e atingirá um desenvolvimento robusto e de alta qualidade, assim que o vírus estiver efetivamente contido.Devem ser feitos esforços em duas frentes específicas para impulsionar a economia. Em primeiro lugar, há a necessidade de acelerar a construção de um mercado interno unificado.

A construção de um mercado interno unificado é a base e a exigência para a implementação do paradigma de desenvolvimento da “dupla circulação”, segundo um documento emitido pelas autoridades chinesas a 10 de abril. O documento especifica que a China desenvolverá um mercado interno unificado de todos os fatores de produção e recursos, incluindo capital, tecnologia e energia.

Isto ajudará a remover os obstáculos ao fluxo racional destes fatores, reduzirá os custos de transação, irá promover a concorrência leal e melhorar a eficiência da economia de mercado. Uma vez construído o mercado interno unificado, serão proporcionadas salvaguardas para o crescimento económico do país. No entanto, a atribuição de fatores
de produção com base no mercado não se aplicará aos bens públicos, tais como educação, cuidados de saúde, investigação científica básica, administração e jurisdição.

Em segundo lugar, apesar das perdas induzidas pela Covid-19, os intervenientes do mercado necessitam de permanecer positivos. A pandemia não discrimina entre empresas, e uma mentalidade positiva ajudá-los-á a lidar melhor com uma variedade de desafios, e assim conseguir um maior crescimento face à adversidade.

De facto, a recessão económica pode ser uma boa altura para reestruturar e eliminar gradualmente vários elementos datados das empresas e dos mercados. As empresas que ajustam a sua estrutura e inovam terão uma vantagem sobre os seus concorrentes na era pós-pandémica.

*Professor na Faculdade de Economia da Universidade Renmin da China

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