Chile celebra primeiros casamentos homoafetivos

Chile celebra primeiros casamentos homoafetivos: ‘Nunca imaginamos que esse momento ia chegar’

Dois casais, um de mulheres e outro de homens, celebraram, nesta quinta-feira (10), os primeiros matrimônios homoafetivos no Chile, após entrar em vigor a lei aprovada no final de 2021 depois de anos de luta das organizações defensoras da comunidade LGBTQIA+.

“Nunca imaginamos que esse momento iria chegar no Chile. Que maravilhoso sentir que estamos vivendo a mudança e que somos partes dessa mudança, e que o futuro do Chile será muito melhor”, assinalou Jaime Nazar, após se casar com Javier Silva no cartório civil de Providencia, em Santiago, na presença de seus dois filhos pequenos, familiares e amigos.  

A este primeiro matrimônio legal assistiram também autoridades do governo conversador de Sebastián Piñera, que, para a surpresa e desgosto de dirigentes de sua coalizão de direita Chile Vamos, apoiou que se acelerasse a promulgação desta lei que, finalmente, entra em vigor um dia antes do término de seu segundo governo (2010-2014 e 2018-2022). 

Javier Silva,38 anos, e Jaime Nazar,39, conseguiram realizar seu sonho de se casar após sete anos juntos e dois filhos em comum, concebidos por uma barriga de aluguel. “É um passo muito importante para o país”, apontou Silva após posar para as fotos. 

“Felicitamos os primeiros maridos do Chile. Nos emociona especialmente que seja um casal com filhos, pois uma das principais razões para que os casais do mesmo sexo queiram se casar é para proteger seus filhos(as). Hoje, já podemos falar de marido e marido e de esposa e esposa. É bonito”, disse o porta-voz do Movimento de Integração e Libertação Homossexual (Movilh), Javiera Zúñiga.

O outro casal que estreou este direito no Chile foi Consuelo Morales e Pabla Heuser, juntas há 18 anos, com uma filha em comum, e que já acreditavam que nunca chegaria o dia de legalizar sua relação como qualquer outro casal.  

“Dedicamos o avanço desta lei a cada um dos casais e famílias homo parentais que foram afastadas, discriminadas, separadas e vulnerabilizadas em seus direitos mais básicos. Algumas ficaram viúvas e em completa orfandade” disse Zúñiga após celebrar o casamento de ambos casais. 

Segundo a pesquisa nacional “Casais do mesmo sexo pelo matrimônio igualitário”, realizada pelo Movilh em novembro do ano passado, quase 83% tem pensado em se unir matrimonialmente, enquanto 91,8% vai anular suas uniões estáveis – como permitia a lei até agora – para se casar.

Mais de 75% dos entrevistados, em uma amostra de quase 1.900 pessoas, expressou seu desejo de contrair matrimônio para “dar estabilidade aos (as) filhos (as) em caso de tê-los”, e outra porcentagem similar quer fazê-lo para “ajudar-se mutualmente como casal”. 

Chile é, a partir de hoje, parte de um reduzido grupo de 30 países que permitem o matrimônio igualitário em todo o seu território, segundo o Movilh.

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