ONGs alertam sobre riscos em áreas húmidas de bioma sul-americano

ONGs alertam sobre riscos em áreas húmidas de bioma sul-americano

Várias organizações que lutam em favor da preservação do meio ambiente emitiram ontem, Dia Mundial das Zonas Húmidas, um alerta urgente sobre os riscos que o bioma Pantanal corre na América do sul

O Pantanal é uma planície que tem 80% da sua área inundada na estação chuvosa e é considerado um santuário onde ainda se encontra preservada uma fauna extremamente rica, que inclui cerca de 600 espécies de aves, 124 de mamíferos, 80 tipos de répteis, 60 tipos de anfíbios e 260 tipos de peixes de água doce.

A maior área do Pantanal (62% ou 150.355 quilómetros quadrados) está no território brasileiro. Cerca de 20% do bioma (conjunto de ecossistemas) situa-se na região norte do Paraguai e 18% na Bolívia.

Nesta quarta-feira, a Associação Interamericana de Defesa do Meio Ambiente (AIDA), o Centro de Diversidade Biológica e Ecologia e Ação (ECOA) solicitaram “o envio de uma missão consultiva a seis pantanais” localizados nos três países.

Esses sítios são o Pantanal Boliviano, o Parque Nacional do Rio Negro no Paraguai, bem como a Reserva Particular do Património Natural SESC Pantanal, a Reserva Particular do Património Natural Fazenda Rio Negro, o Parque Nacional Matogrossense do Pantanal e a Estação Ecológica do Taiamã no Brasil.

A designação será crucial para lidar com grandes incêndios sem precedentes registados naquela área, em certa medida incentivados pela expansão da agricultura e pecuária, defendeu o cientista Alejandro Olivera, do Centro de Diversidade Biológica, num comunicado.

No alerta dirigido à secretaria da Convenção de Ramsar – tratado intergovernamental aprovado em encontro realizado na cidade iraniana de Ramsar para promover a cooperação entre países na conservação e no uso racional das zonas húmidas no mundo – pede-se também aos países que cumpram as obrigações adquiridas para a aplicação de políticas e regulamentações que protejam o Pantanal.

Segundo dados da AIDA, em 2020 os incêndios florestais devastaram cerca de 4,3 milhões de hectares no Pantanal, “o maior número registado desde 1998, bem como 100% do Parque Nacional do Pantanal Matogrossense brasileiro.”

“Uma missão de assessoria aos seis sítios Ramsar poderia fornecer assistência especializada aos Governos brasileiro, boliviano e paraguaio para superar as condições que geram risco”, disse a advogada da AIDA Claudia Velarde.

As organizações frisaram que no Pantanal soma-se danos causados pelo desflorestamento, o avanço da pecuária e do agronegócio, que produzem efeitos nas bacias hidrográficas, sentidos indistintamente nos três países, além do impacto de grandes projetos de mineração.

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