Líder de grupo de ultradireita é indiciado por invasão ao Capitólio

Líder de grupo de ultradireita é indiciado por invasão ao Capitólio

O líder dos Oath Keepers, um dos principais grupos de ultradireita dos Estados Unidos, e outras dez pessoas foram indiciadas por sedição e conspiração pela invasão ao Capitólio em 6 de janeiro de 2021, anunciou nesta quinta-feira (13) o Departamento de Justiça

Stewart Rhodes, de 56 anos, que fundou em 2009 e dirige o grupo extremista, e outros dez integrantes foram detidos nesta quinta-feira.

Tratam-se das acusações mais graves apresentadas contra os participantes da invasão ao Capitólio que visava impedir que a vitória de Joe Biden nas eleições fosse certificada.

Nove deles já estavam sendo processados por “conspiração para delinquir” e afetar um processo oficial, ou por atos violentos, o que implica certo grau de coordenação.

A acusação de “sedição”, que pode levar a uma condenação de até 20 anos de prisão, vai além. Implica ter conspirado contra o governo ou uma de suas leis, uma dimensão muito mais política.

Além disso, a comissão parlamentar encarregada de esclarecer os acontecimentos daquele dia anunciou nesta quinta-feira que vai convocar os responsáveis por quatro redes sociais: a empresa-mãe do YouTube (Alphabet, que controla o Google), a do Facebook (Meta), o Reddit e o Twitter. 

Os investigadores querem saber “como a disseminação da desinformação e do extremismo violento contribuíram para o ataque violento contra nossa democracia” e que medidas as empresas tomaram, se houver, para evitar que suas plataformas se tornassem terreno fértil para a radicalização.

“Guerra civil”

Dois dias após a eleição de 3 de novembro de 2020, Stewart Rhodes declarou em uma conversa criptografada com outros membros de seu grupo: “Não podemos sair disso sem uma guerra civil”, segundo a ata de acusação.

Antes de 6 de janeiro, Rhodes “se associou” com alguns de seus colegas “para impedir a transferência pacífica do poder”, sobretudo “usando a violência”.

Os membros do Oath Keepers “organizaram transportes de todo o país até Washington, se equiparam com todo tipo de armas, vestiram uniformes de combate e estavam prontos para responder ao chamado às armas de Rhodes”, destaca o documento.

No momento do ataque, este ex-militar reconhecível por seu tapa-olho estava perto do Capitólio, mas não é certo se ele entrou no edifício.

Além de Rhodes, a força pública deteve na quinta-feira, no Arizona, outro integrante do grupo radical: Edward Vallejo, de 63 anos.

Conspiração mundial

Essa organização paramilitar altamente descentralizada tem milhares de membros, de acordo com a Liga Antidifamação (ADL), que luta contra o antissemitismo e o racismo.

O Oath Keepers se opõe ao governo federal, que acusa de colaborar com uma conspiração global para privar os cidadãos americanos de seus direitos, em particular o de possuir armas.

A organização recruta principalmente soldados, policiais, bombeiros e membros dos serviços de emergência, que juraram proteger a Constituição dos Estados Unidos “contra seus inimigos estrangeiros e domésticos”, segundo a ADL.

Quando entram no grupo, eles também prometem desobedecer a qualquer ordem de um “governo tirânico” que viole a Constituição, como “desarmar os americanos” ou impor a lei marcial ao país.

Integrantes do Oath Keepers, vestidos com uniformes militares e armados, ganharam mais visibilidade em 2020 ao participar de protestos contra restrições impostas em alguns estados para conter a pandemia do coronavírus. 

Também foram vistos à margem das grandes manifestações antirracistas que abalaram o país para, de acordo com eles, proteger os comércios de saques.

O grupo ecoou teorias da conspiração como a existência de um “estado profundo” dentro do governo dos Estados Unidos que quer estabelecer uma “nova ordem mundial”.

Desde o dia do atentado, mais de 725 pessoas, incluindo membros dos grupos de extrema-direita Proud Boys, Oath Keepers ou Three Percenters, foram detidas por sua participação nos eventos.

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