Comércio livre em África ajuda a recuperar da pandemia

Comércio livre em África ajuda a recuperar da pandemia

A Conferência das Nações Unidas para o Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD, na sigla inglesa) defendeu ontem que a zona de comércio livre em África pode reduzir o abrandamento económico resultante da pandemia e fomentar exportações no valor de mais de 30 mil milhões de dólares

“A Zona de Comércio Continental Livre em África (AfCFTA, na sigal em inglês) pode reduzir a contração do crescimento causada pela pandemia de Covid-19, a tendência de aumento da pobreza e da desigualdade, e impulsionar o crescimento inclusivo e sustentável no continente se forem aprovadas medidas mais fortes de apoio às mulheres, aos jovens empreendedores e às pequenas empresas”, lê-se no relatório sobre o ‘Desenvolvimento Económico em África 2021’, hoje divulgado em Genebra.

No documento, a UNCTAD diz que as políticas comerciais, por si só, “não deverão conseguir apoiar o crescimento económico inclusivo no continente” e aponta que “são necessárias medidas que aumentem o potencial de distribuição dos ganhos da integração regional e ajudem a garantir um desenvolvimento inclusivo”.

Entre elas, aponta “políticas de cooperação na promoção do investimento e concorrência, a aceleração do financiamento de infraestruturas que facilitem as ligações entre as áreas rurais e urbanas, e a garantia de acesso igual às oportunidades socioeconómicas e aos recursos produtivos”.

Neste sentido, a UNCTAD salienta a importância da AfCFTA, que começou oficialmente a 1 de janeiro deste ano, e que é um dos projetos emblemáticos da Agenda 2063 da União Africana, pretendendo abolir 90% das tarifas alfandegárias no comércio entre os países do continente.

“A AfCFTA tem imenso potencial de crescimento da economia e transformação das perspetivas de evolução do continente se forem tomadas medidas adicionais para concretizar e distribuir de forma equitativa os seus benefícios, já que os ganhos não acontecerão de forma automática”, disse a secretária-geral da UNCTAD, Rebeca Grynspan.

O relatório aponta que o crescimento foi inclusivo em apenas 17 das 49 nações africanas para as quais há dados suficientes, notando que Angola é um dos países onde a expansão económica não chegou a toda a população.

“O crescimento económico de África tem reduzido a pobreza, mas houve um aumento da desigualdade em 18 países africanos”, lê-se no documento.

No relatório, aponta-se que 34% dos agregados familiares continuam a viver abaixo da linha da pobreza, com menos de 1,9 dólares por dia, e cerca de 40% da riqueza total é detida por aproximadamente 0,0001% da população”, um situação agravada com a pandemia, que empurrou mais 37 milhões de africanos para uma situação de pobreza extrema.

O relatório diz ainda que o potencial de exportações para países no continente chega a quase 22 mil milhões de dólares, cerca de 19,5 mil milhões de euros, o equivalente a 43% das exportações africanas, e aponta que há “um potencial de exportações adicional de 9,2 mil milhões de dólares [8,1 mil milhões de euros] que pode ser alcançado através da liberalização parcial das tarifas, ao abrigo da AfCFTA nos próximos cinco anos”.

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