Número de doentes com covid-19 e graves sobe na Europa -

Número de doentes com covid-19 e graves sobe na Europa

A elevada taxa de vacinação, próxima dos 100 % nos grupos-alvo, coloca o país numa posição mais tranquila relativamente ao combate aos doentes

Vários países na Europa estão a registar uma subida do número de doentes com covid-19, desde logo Espanha, mas também o Reino Unido, Alemanha e Holanda, além dos países de Leste. Em Portugal, há uma subida contínua de casos e de internamentos, mas a questão é saber se há o risco de a situação se agravar e ter de se voltar às medidas de confinamento como já acontece no estrangeiro.

“Há sempre a possibilidade de assistirmos a uma escalada de casos como acontece em outros países da Europa, pode haver uma ou outra nova variante ou algum dos nossos mais vulneráveis estar mais fragilizado, são tudo incógnitas. Mas a verdade é que temos uma situação epidemiológica muito diferente: uma cobertura vacinal com duas doses de mais de 86% da população, o que dificulta a circulação do vírus. E, em alguns países, nomeadamente no Reino Unido, assiste-se a uma subvariante da Delta que tem sido mais problemática entre as pessoas não-vacinadas. Em Portugal, foram detetados alguns casos, mas o último relatório do INSA (Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge) diz que todas as infeções são da variante Delta”, explica Gustavo Tato Borges, vice-presidente da Associação Nacional dos Médicos de Saúde Pública (ANMSP).

Refere-se ao relatório semanal Monitorização das Linhas Vermelhas para a Covid-19 para o período de 15 a 21 de outubro, que conclui que a “variante Delta , originalmente associada à Índia, é a dominante em todas as regiões, com uma frequência relativa de 100%”.

Acrescenta o documento que a “atividade epidémica do SARS-CoV-2 é de intensidade reduzida e transmissibilidade moderada, com tendência estável a nível nacional. A pressão nos serviços de saúde e o impacto da mortalidade são reduzidos”.

Na altura, a média de infeções a 14 dias era de 91 casos por 100 mil habitantes, esta terça-feira subiu para 92,8, mas menos de metade dos 240 casos por 100 mil estabelecidos como linha vermelha da pandemia. A incidência [R(t)] passou de 1,02 para 1, 06, também os internamentos aumentaram nos dois últimos dias, ultrapassando as 300 camas, 62 em unidades de cuidados intensivos (UCI). Ainda assim, longe das 255 camas consideradas como limite máximo.

Gustavo Tato Borges justifica a subida de infeções com o fim de algumas restrições, nomeadamente a obrigatoriedade do uso da máscara na generalidade dos espaços fechados, mas salienta que a doença está controlada. “A situação, para já, não levanta uma grande preocupação, mas precisa de alguma atenção quer do Serviço Nacional de Saúde, quer dos governantes, quer dos cidadãos, que devem fazer a sua parte.”

O fim do uso da máscara coincidir com a aproximação do outono e do inverno é a crítica do médico: “A situação epidemiológica permitia abrir um pouco mais a sociedade, mas penso que as únicas medidas que foram tomadas mais cedo que o desejável foi o fim do uso da máscara em espaços interiores e a abertura das discotecas sem qualquer restrição. Apresentar o certificado de vacinação quando temos mais de 86% de pessoas com a vacinação completa e 10% da população são crianças abaixo dos 12 anos, que não serão vacinadas, são raros os adultos sem certificado. A única restrição é os funcionários usarem máscara.”

O último relatório da DGS sobre vacinação, divulgado esta terça-feira, indica que 8,8 milhões de residentes têm a vacinação completa e nove milhões levaram a primeira dose. Acima dos 50 anos, a taxa é superior a 99%. É o grupo mais jovem, entre os 12 e 17 anos, os últimos a entrar no sistema, que tem a percentagem mais baixa: 86%.

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