"Se for preciso fazer reforço de vacinas a mais idades, faremos" - Plataforma Media

“Se for preciso fazer reforço de vacinas a mais idades, faremos”

Na semana em que se sabe que uma nova subvariante da Delta, a AY.4.2 está a ter grande impacto epidemiológico, levando alguns países de novo ao confinamento, a diretora-geral da Saúde, Graça Freitas, faz um balanço da pandemia ao DN. E diz que, do ponto de vista do vírus, “ainda há muito para saber e em aberto”. As medidas de proteção individual continuam a ser fundamentais. Do ponto de vista pessoal, a pandemia tirou-lhe o sono, que se sentiu algumas vezes injustiçada, mas tinha tanto para fazer que não “sofri muito”. E quando se reformar já sabe o que quer fazer: nada.

Teve a sorte de nascer em Angola, de começar a sua vida de forma diferente, mais livre, do que a que teve depois na Europa. Veio com os pais para Portugal, escolheu Medicina, e dentro desta a saúde pública. Fez o primeiro internato da especialidade e quando ainda era “uma especialidade desconhecida”, mas o momento da escolha marcou o resto da sua vida. Graça Freitas tem 64 anos. De um momento para o outro passou do anonimato para figura pública, o que a incomoda, e muito. Como profissional já tinha lidado com outras epidemias e pandemias, mas só esta teve dimensão única e foi vivida num mundo digital. E assume que houve coisas que correram bem, como o comportamento exemplar dos cidadãos, e outras menos, o ruído na comunicação. Um ano e sete meses depois, diz ser cedo para se falar de todas as lições aprendidas. “Temos de ter tempo para fazer leituras”, mas há uma evidente: sociedade, saúde, segurança social, trabalho, educação, têm de trabalhar juntos na resposta às crises. Na casa que dirige, a Direção-Geral da Saúde, o debate interno sobre o futuro já começou.

Na última semana dados sobre uma nova variante da Delta, a AY.4.2, fizeram soar de novo os alarmes, alguns países voltaram ao confinamento. Isto quer dizer que, apesar da vacinação, ainda poderemos ser surpreendidos pelo vírus?
Afirmativo. Publicámos agora o Plano Referencial Outono-Inverno 2021-2022 onde estão previstos três cenários e um deles é exatamente esse, de maior surpresa e gravidade. O primeiro cenário é o que vivemos, perfeitamente estável, o segundo é aquele em que a efetividade da vacina começa a cair, havendo a necessidade de fazer reforços para aumentar a proteção da população, é o que estamos a fazer agora com os maiores de 65 anos, e o terceiro, o pior, é aquele em que apareceria uma nova variante, mais agressiva, com capacidade de escapar ao nosso sistema imunitário. Portanto, estas três realidades têm de estar sempre presentes até que o vírus termine o seu percurso entre nós.

Isso quer dizer que não se sabe mesmo o que pode acontecer?
Este vírus é muito novo e, na verdade, não podemos dizer que sabemos o que vai acontecer, porque não sabemos se as variantes que vão aparecendo tenderão sempre para uma estabilidade – ou seja, se vão ser variações das mesmas mutações que se vão juntando de formas diferentes – ou se as mutações vão transformar-se numa outra variante, mais forte. Em relação ao vírus da gripe, por exemplo, já o conhecemos há dezenas de anos e com muitas variações, sobre este ainda não sabemos tudo. Portanto, a questão de poderem aparecer novas variantes tem de estar sempre presente no nosso pensamento e no planeamento que fizermos.

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