Primeiro fundo indexado à Bitcoin estreia com sucesso em Wall Street

Primeiro fundo indexado à Bitcoin estreia com sucesso em Wall Street

O primeiro fundo de investimentos indexado (ETF) à Bitcoin estreou ontem na bolsa de Nova Iorque, e muitos participantes do mercado de criptomoedas veem neste novo produto um mecanismo para popularizar as moedas digitais

Um fundo indexado à Bitcoin estreia-se com sucesso. ETFs vinculados ao bitcoin já existem na Ásia, no Canadá e no Brasil, mas esta é a primeira vez que um é aberto na principal praça financeira do planeta. 

O ProShares Bitcoin Strategy ETF (BITO), nome completo deste fundo indexado (exchange traded fund em inglês), ou seja, cuja evolução está atrelada a algum tipo de ativo, neste caso o bitcoin, fechou em alta de 4,95% a 41,98 dólares por título. 

Cerca de 23,9 milhões de títulos de mais de US$ 1 bilhão mudaram de mãos, segundo estimativas da Bloomberg News. 

Este novo fundo e seu lançamento na bolsa impulsionaram a cotação do bitcoin nos últimos dias. Nesta terça, o bitcoin manteve sua ascensão no mesmo ritmo do fundo ETF (+4,42%), chegando a 64.056 dólares, perto de seu recorde de abril (64.870 dólares). 

Para Art Hogan, da National Securities, a chegada deste novo produto financeiro no mercado “era certamente uma das mais esperadas e é o que impulsionou a alta da criptomoeda” nesta terça-feira. 

Evento simbólico

Diferentemente de outros fundos de investimento, em um ETF pode-se colocar e tirar dinheiro a qualquer momento. 

Em um sinal da importância do evento, os dirigentes da ProShares, a empresa que lançou o produto, estiveram presentes no pregão da New York Stock Exchange para tocar o sino de abertura do mercado. 

Os investidores que colocarem dinheiro neste novo ETF não vão comprar bitcoins diretamente. Seu dinheiro será aplicado em contratos no mercado futuro vinculados a esta criptomoeda. 

Este funcionamento indireto das aplicações foi fundamental para a autoridade reguladora dos mercados americanos, a SEC, que alertou para a volatilidade do bitcoin. 

As autoridades da bolsa não se opuseram ao lançamento deste fundo, embora o tenham feito em casos anteriores desde 2013. No entanto, publicaram um tuíte com uma advertência na semana passada, o que reflete as dúvidas e críticas que estes novos ativos digitais suscitam. 

“Antes de investir em um fundo que tem contrato futuro com bitcoins, assegure-se de ter pesado os riscos e os benefícios”, escreveu o organismo.  

Alguns especialistas do setor relativizaram o lançamento deste produto, ao considerar que os investimentos que desejarem se expor ao bitcoin já tinham a possibilidade de acessar esta criptomoeda com facilidade. 

“Não é a solução definitiva, mas é uma boa solução temporária”, resumiu Nicholas Colas, cofundador da consultoria DataTrek. 

Para ele, a verdadeira revolução foi o lançamento em 2017 dos contratos a futuro com base no bitcoin, sobre os quais se apoia o novo fundo introduzido nesta terça na bolsa nova-iorquina. 

Entrevistado nesta terça-feira pela CNBC, o presidente da SEC, Gary Gensler, destacou que estes contratos a futuro são regulados com sucesso há quatro anos. 

Mas, embora a exposição ao bitcoin seja indireta, “são um tipo de ativos altamente especulativos”, insistiu. 

Cotação em alta

A antecipação do lançamento deste novo fundo impulsionou a cotação do bitcoin nos últimos dias. Seu preço disparou 40% em um mês. 

“O BITO oferecerá aos investidores a possibilidade de se expor facilmente aos rendimentos do bitcoin, através de uma conta de corretagem (…), o que elimina a necessidade de uma conta em uma plataforma de intercâmbio de criptomoedas”, acrescentou o grupo Proshares, um dos principais provedores de ETFs, em um comunicado divulgado na segunda-feira. 

“Lembramos de 1993 e do primeiro ETF de ações; 2002 e do primeiro ETF de obrigações, e de 2004 no primeiro ETF de ouro. O ano de 2021 ficará na memória pelo primeiro ETF ligado a uma criptomoeda”, comemorou na segunda-feira o presidente da ProShares, Michael Sapir. 

Os ETFs se desenvolveram de forma exponencial há 20 anos e se valorizam em mais de 5 trilhões de dólares nos Estados Unidos, o que representa 70% do mercado mundial destes fundos.  

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