Squid Game. Série deixa a comunidade escolar em alerta -

Squid Game. Série deixa a comunidade escolar em alerta

Squid Game é nome de um novo “fenómeno” de audiências, sendo já classificada como a série mais vista de sempre da plataforma de streaming Netflix, destronando sucessos como A Casa de Papel. A série está classificada para maiores de 16 anos, mas a história que retrata jogos infantis tem chamado a atenção de crianças e adolescentes (ver caixa) e está a preocupar a comunidade escolar pela violência envolvida, que já encontrou exemplos de replicação na vida real em vários pontos do mundo.

“A meu ver, a classificação até devia ser para maiores de 18 anos. O grau de violência é muito elevado. Preocupa-me sobretudo que as crianças possam ter acesso a estes conteúdos”, alerta Nuno Pinto Martins, fundador da Academia Educar pela Positiva.

Para o especialista, “é muito importante que, sobretudo até à entrada na adolescência, estes conteúdos não estejam disponíveis. Os meus filhos têm acesso à Netflix apenas na sala e com um perfil criado para a idade deles, o que permite que só surjam conteúdos até aos 12 anos”, explica. Contudo, a mesma estratégia pode já não ser adequada a adolescentes. “Quando se trata de adolescentes, a proibição tem um efeito contrário. Quanto mais proibirmos, mais eles querem ver e encontram quase sempre forma de o fazer. Aqui, o mais importante é a supervisão e a orientação. Podemos aproveitar este tipo de produtos para nos sentarmos com eles e conversarmos sobre o assunto. E se a idade já o permitir, os pais podem ver os episódios com os filhos, para irem conversando e orientando”, aconselha.

Nuno Pinto Martins alerta ainda para os efeitos nefastos nos pré-adolescentes e adolescentes, cujo cérebro “está em fase de maturação. Nestas faixas etárias ainda não há uma perceção completa de algumas coisas. Pode existir confusão entre a realidade e a ficção, como já tem acontecido em alguns países, onde crianças imitam os jogos da série e agridem quem perde. Nesta fase, ainda há uma falta de noção de limites”, sublinha.

O papel da escola na prevenção

Para Sofia Chamusca, coordenadora pedagógica (creche, pré-escolar e 1.º ciclo) do Colégio Júlio Dinis, no Porto, “a escola tem um papel importantíssimo” na literacia digital e no acompanhamento de “fenómenos” potencialmente perigosos entre os mais jovens. “Não cabe à escola a responsabilidade total, mas deve trabalhar em conjunto com as famílias. A escola previne, orienta e está atenta, mas as famílias têm de seguir a mesma linha”, salienta.

A responsável diz que os professores estão “atentos às novas tendências de consumo”, sendo “promotores de comportamentos preventivos”. Sofia Chamusca, que é também mãe de três meninas, recorda uma situação em sala de aula, no decorrer da qual os alunos falaram na série Squid Game. “O assunto foi referido por alunos doe 7.º ano da turma da minha filha mais velha, e o professor de História aproveitou o momento para explicar do que se tratava e alertar para os perigos subjacentes da visualização da série na faixa etária deles. Os professores assumem, nestas situações, uma função muito importante”, conta.

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