Xi Jinping homenageia Merkel como "velha amiga" da China

Xi Jinping homenageia Merkel como “velha amiga” da China

O Presidente chinês prestou ontem homenagem à chanceler alemã, Angela Merkel, que está de saída do cargo, saudando-a como uma “velha amiga” da China

O elogio de Xi Jinping a Merkel, feito durante uma entrevista televisiva à estação estatal chinesa CCTV, em Pequim, acontece no momento em que a União Europeia (UE) dá sinais de querer mais independência em relação aos Estados Unidos, mas também por denotar mais desconfiança em relação à China, num contexto de disputas em várias frentes (guerra comercial, Taiwan, direitos humanos).

“Espero que a União Europeia mantenha a sua independência” em relação aos Estados Unidos e “preserve genuinamente os seus interesses”, concluiu Xi Jinping, na sua mensagem sobre Angela Merkel.

No poder desde o final de 2005, Angela Merkel sempre lutou por uma reaproximação de Berlim com Pequim, por causa do papel diplomático e económico essencial do gigante asiático e da importância do mercado chinês para a indústria alemã.

Hoje, Xi Jinping referiu “as conexões aprofundadas” com a chanceler alemã ao longo dos anos, que permitiram “o desenvolvimento estável e sólido das relações bilaterais”.

“Nunca esquecemos nossos velhos amigos. A porta da China estará sempre aberta”, disse o Presidente chinês, dirigindo-se à chanceler alemã, enquanto abria um largo sorriso.

As relações sino alemãs estiveram geralmente em boa forma, durante os últimos 16 anos, ao contrário das relações mais tensas entre Pequim e outros países europeus, como a França, o Reino Unido, a Suécia ou, recentemente, a Lituânia.

Para Xi Jinping, a ligação bem-sucedida com a Alemanha “prova que as relações entre Estados podem evitar jogos de soma zero” – o modelo onde os ganhos de um país necessariamente se traduzem em perda para o outro – numa referência clara aos Estados Unidos, muitas vezes acusados pela diplomacia chinesa de privilegiar os seus interesses sem se preocupar com os alheios.

Pequim tem mencionado repetidas vezes os casos da retirada do Afeganistão ou a recente rescisão do contrato de compra de submarinos franceses pela Austrália, lançando críticas a Washington, que também encontram eco entre os líderes dos países europeus.

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