China promete 200 milhões de euros para um novo fundo para a biodiversidade

China promete 200 milhões de euros para um novo fundo para a biodiversidade

A China anunciou ontem a criação de um novo fundo para proteger a biodiversidade nos países em desenvolvimento, com 200 milhões de euros, na conferência das Nações Unidas sobre biodiversidade COP15

“A China tomará a iniciativa de criar o Fundo de Biodiversidade de Kunming com uma contribuição de 1,5 mil milhões de yuan [200 milhões de euros] para apoiar a conservação da biodiversidade nos países em desenvolvimento”, anunciou o Presidente chinês, Xi Jinping, numa mensagem à conferência de Kunming, no sudoeste da China.

“A China apela (…) a todas as partes para que contribuam para o fundo”, disse Xi, citado pela agência de notícias France-Presse (AFP).

A cimeira de alto nível, iniciada na segunda-feira, conta com discursos pré-gravados dos presidentes da Rússia, Vladimir Putin, da França, Emmanuel Macron, e da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, e do secretário-geral da ONU, António Guterres.

A reunião de uma semana marca o início formal de uma nova ronda de conversações globais sobre a proteção das plantas e animais do mundo contra a extinção, e a preservação dos ecossistemas dos quais dependem.

Uma segunda e última sessão que tentará chegar a acordo sobre os objetivos para os próximos 10 anos está agendada para Kunming, de 25 de abril a 08 de maio do próximo ano, com os 196 membros da Convenção sobre Diversidade Biológica (CDB)

Em janeiro de 2022, terá lugar em Genebra uma sessão de negociação provisória.

Estas conversações visam estabelecer um novo quadro para proteger a natureza até 2050, com um marco histórico em 2030.

“Estamos a perder a nossa guerra suicida contra a natureza”, advertiu o secretário-geral da ONU.

António Guterres alertou que o “colapso dos ecossistemas poderá custar quase três triliões de dólares [cerca de 2,6 biliões de euros] por ano até 2030”, afetando sobretudo os países pobres.

A “COP15 é a nossa oportunidade de apelar a um ‘cessar-fogo’, juntamente com a COP26 sobre o clima” a realizar em novembro, em Glasgow, disse Guterres.

A questão do financiamento é um dos principais pontos controversos, com os países em desenvolvimento a pedirem aos países desenvolvidos que paguem pela sua transição.

O texto em negociação na COP15 apela para a reorientação e eliminação dos subsídios prejudiciais ao ambiente “em pelo menos 500 mil milhões de dólares [432 mil milhões de euros] por ano”.

Pede também um aumento dos recursos financeiros de todas as fontes para pelo menos 200 mil milhões de dólares (173 mil milhões de euros) por ano e um aumento dos fluxos financeiros internacionais para os países em desenvolvimento em pelo menos 10 mil milhões de dólares (8,6 mil milhões de euros) por ano.

Para alguns países, o Fundo Global para o Ambiente (GEF, na sigla em inglês) é a ferramenta certa para financiar ações de biodiversidade.

“Todas as fontes, particularmente as dos fundos existentes, tal como o Fundo Global para o Ambiente, mas também os fundos climáticos, devem ser mobilizados para proteger, gerir de forma sustentável e restaurar a biodiversidade”, disse Emmanuel Macron.

A França comprometeu-se a “dedicar 30% do seu financiamento internacional para o clima à biodiversidade”, disse Macron, apelando para que outros países façam o mesmo.

O mundo não conseguiu atingir a maioria dos atuais objetivos para 10 anos, os Alvos de Biodiversidade de Aichi, estabelecidos no Japão em 2010, segundo a agência de notícias Associated Press (AP).

A organização ambientalista Greenpeace disse que os países precisam de se concentrar não só no estabelecimento de novas metas, mas também no financiamento e cumprimento das mesmas.

“O Fundo Kunming para a Biodiversidade, lançado hoje, deverá iniciar um debate urgente sobre o financiamento da biodiversidade”, lê-se numa declaração da Greenpeace.

“O nosso planeta precisa não só de outro conjunto de metas no papel, mas também do seu cumprimento efetivo”, acrescentou, citada pela AP.

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