Plataforma, Grande Baía e sustentabilidade: o futuro em três eixos - Plataforma Media

Plataforma, Grande Baía e sustentabilidade: o futuro em três eixos

928 Startup Challenge” é uma competição entre estudantes universitários que estabelece a plataforma entre 9 cidades da Grande Baía, 2 regiões autónomas e 8 países de língua portuguesa. José Alves, diretor da Faculdade de Gestão da Universidade Cidade de Macau, e Marco Rizzolio, professor visitante e co-fundador do evento, falam de uma visão de futuro que cruza a integração regional, a plataforma e a sustentabilidade.

– Este concurso envolve alunos universitários chineses e dos países de língua portuguesa, focando-se nas oportunidades da Grande Baía e na sustentabilidade. Como é que funciona a competição? Qual é o perfil do evento? 

José Alves – Começo pela nossa visão do evento; como ele surge na Universidade Cidade de Macau. Nos cursos que lecionamos, nos seminários e conferências, é muito frequente os professores entre si falarem na Plataforma Macau. Nós próprios realizámos vários eventos com o Fórum Macau. Contudo, ao nível dos alunos, quer da China Continental quer dos países de língua portuguesa, os alunos não têm muito esse conhecimento. Por isso criámos esta competição, para sensibilizar os alunos, em Macau e na China – estendendo aos países de língua portuguesa – sobre o papel da Plataforma, como é que está a funcionar e como poderá criar novas oportunidades para o futuro. 

– O objetivo é difundir a Plataforma entre estudantes universitários… 

J.A. – Sim; pretendemos criar uma comunidade de estudantes e professores que, nos próximos anos, possam continuar a colaborar entre si. 
Marco Rizzolio – Deixem-se só acrescentar outro objetivo deste evento: conectar as universidades. É muito importante essa colaboração com o Brasil, Angola, Moçambique, etc…  

José Alves, diretor da Faculdade de Gestão da Universidade Cidade de Macau.
– O que é que se pede então aos alunos em competição? 

M.R. – Esta competição é um Boot Camp online, durante duas semanas. A primeira – duas horas por dia, à tarde – é a semana que chamamos de knowledge: dar conhecimento ao nível económico das oportunidades em cada país. Vamos falar da Grande Baía, sobre o que representa a nível económico, quais são os setores oportunidade… e o mesmo faremos em relação aos países lusófonos, para que os alunos tenham um maior entendimento sobre esses blocos. A segunda semana é prática. Usamos a metodologia lean canvas, que permite aos alunos pensar e desenvolver rapidamente uma ideia e pô-la num formato business

– Como é que se explica essa metodologia? 

M.R. – Antigamente um business plan tinha 40 páginas… hoje o canvas resume-se a uma página A4, em que há uma série de perguntas relacionadas com o cliente, o problema que se tenta resolver, a solução apresentada, qual lucro projetado, etc… Isso permite aos alunos rapidamente criar uma ideia e apresentá-la. 
J.A. – Por outras palavras: na primeira e na segunda semana temos um programa de formação. Primeiro, o enquadramento sobre o ambiente de negócios nos oito países de língua portuguesa e na Grande Baía. Depois damos instrumentos de gestão para criarem o pitch: apresentação da ideia para uma nova empresa. Terá de ser feito no máximo em dez slides e pode variar entre cinco a dez minutos. 

Marco Rizzolio, professor visitante e co-fundador do evento “928 Startup Challenge”
– Essa ideia de negócio cruza os mercados de língua portuguesa, a Grande Baía e a sustentabilidade… Depois é avaliada e classificada? 

J.A. – Exatamente. E têm de ter dois requisitos: fazer a ponte entre a China e pelo menos um país de língua portuguesa; e abordar um dos 17 objetivos do desenvolvimento sustentável das Nações Unidas. É uma área bastante importante em negócios. E muito para a realidade dos países envolvidos.  

– Além da responsabilidade social é também uma área de oportunidade? A faculdade de gestão sente a responsabilidade de transmitir a sustentabilidade como negócio de futuro? 

J.A. – A sustentabilidade passou a ser um dos valores fundamentais nas escolas de gestão, na Europa, Estados Unidos, ou Ásia… inclusivamente, somos avaliados por isso por agências de acreditação. Para nós, a sustentabilidade tornou-se um dos nossos valores fundamentais.  

– Os alunos percebem isso? É já um valor da nova geração de Macau? 

J.A. – Ainda não… estamos a passar gradualmente. Há nichos mais conscientes, relacionados com o desperdício na alimentação e a poluição alimentar. Mas não passa ainda suficientemente para a população e os alunos em geral. Daí termos decidido usar a sustentabilidade como um dos temas principais do concurso. 

– Os planos de negócios que os concorrentes apresentarem serão analisados por potenciais investidores?  

M.R. –  Isto é uma competição académica, não é bem um concurso de startups. As universidades inscrevem-se até 30 de Setembro e, dia 23 de Outubro, no Venetian Macau, terão lugar as finais, para as quais esperamos selecionar 15 a 20 equipas. Aí apresentarão os seus planos de negócio em frente a um painel de juízes composto por CEOs e diretores de empresas como a CESL Asia e o BNU, entre outros. 

– As equipas externas deslocam-se a Macau? 

M.R. – É um evento híbrido, até porque causa da pandemia. A formação será toda online e as universidades de língua portuguesa apresentarão também nesse formato as ideias selecionadas para a final. Mas as universidades chinesas estarão presentes em Macau. 

– Qual a importância da Plataforma para o posicionamento da vossa faculdade hoje em Macau?  

J.A. – A Universidade já tem um instituto para estudos de países de língua portuguesa, que se foca em relações internacionais e trocas culturais. Na Faculdade de Gestão, até agora, não existia um evento focado na Plataforma. Este é o primeiro passo para nos posicionarmos no contexto dos negócios internacionais, especialmente entre a China e os países de língua portuguesa – de facto, o espaço onde Macau pode ter uma palavra a dizer. Não faz sentido falar de negócios entre a China e a América do Norte, ou a Europa, espaços demasiados abrangentes nos quais não temos competências. A História de Macau dá-nos essas competência no espaço da Lusofonia – é aí que temos de apostar.  

– O nome do evento traduz a consciência de que a Grande Baía ideia é o novo espaço crucial para a visão estratégica da Universidade? 

J.A. – Sem dúvida. Não só a nossa universidade, mas todas em Macau, têm já um discurso bastante alinhado com as políticas do Governo, centradas na Grande Baía – não só na Ilha da Montanha e Zhuhai, mas nas 9 cidades e na província de Cantão. É bastante claro que o espaço de oportunidade para Macau vai ser o sul da China. 

– Será também onde se devem focar os países lusófonos? 

J.A. – Geograficamente deviam localizar–se aqui, onde está Macau, com mais relações e vantagens para os apoiar a entrar na China. Economicamente, sabemos que alguns países vão diretamente a outras zonas da China. Nomeadamente o Brasil, que não precisa de passar por Macau para entrar na China. Mas todos os outros têm uma escala mais pequena e devem apostar em Macau, especialmente para o mercado da Grande Baía, com 70 milhões de habitantes e uma escala importante para esses países. 

Entrevista completa a José Alves, diretor da Faculdade de Gestão da Universidade Cidade de Macau, e Marco Rizzolio, professor visitante e co-fundador do evento “928 Startup Challenge”.
– Qual é o papel das universidades na construção da Plataforma? 

J.A. – Podem ter um papel muito importante na transferência de tecnologia. É muito comum as universidades terem io deixa de ser uma grande oportunidade que e3xistel ses patar na passagem por Macau, especialmente no mercado da Grande BHancubadoras de empresas e centros de transferência de tecnologia. As universidades com faculdades de engenharia, medicina, e ciências naturais… estão mais bem posicionadas para esse papel. Em Macau não há grande tradição em ciência e tecnologia, mas não deixa de ser uma grande oportunidade que é de aproveitar. 
M.R. – Fiquei bastante surpreendido, neste contexto da plataforma, porque quando se querem criar esse tipo de laços deve começar-se pela Educação e pelas universidades. E aí há um trabalho muito grande por fazer – são poucas as universidades que transmitem a ideia do Fórum Macau. Temos o Instituto Politécnico, mais ao nível das ínguas; a Universidade de Macau, ao nível do Direito; e pouco mais. Não se investiu muito nesta área ligada ao negócio, onde precisamos de mais know-how e mais professores para dar apoio à plataforma. 

– O apoio do Fórum Macau a este evento sinaliza a compreensão da diplomacia chinesa para a vossa proposta?

J.A. – Sim. O contacto com o Fórum Macau foi o primeiro e foi logo o primeiro parceiro que confirmou apoio total, desde o primeiro dia. Deu-nos bastante confiança e alavancagem para abordarmos os outros departamentos públicos de Macau. 
M.R. – Temos de dizer: o apoio foi imediato. Depois foi também importante a Direção dos Serviços de Economia, através da incubadora de Macau, que ajudou muito na parte logística da competição. 

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