Morreu Jorge Sampaio - Plataforma Media

Morreu Jorge Sampaio

Foi Presidente da República de 1996 a 2006. Antes esteve quase seis anos à frente da Câmara Municipal de Lisboa e três como líder do PS, tendo perdido as legislativas de 2001 para Cavaco Silva

O antigo Presidente da República Jorge Sampaio morreu esta sexta-feira aos 81 anos, disse à Lusa fonte da família. O ex-chefe de Estado estava internado desde o dia 27 de agosto no Hospital de Santa Cruz, em Lisboa (foi transferido do Algarve), após dificuldades respiratórias. A sua situação clínica tinha-se agravado nos últimos dias.

Era o Presidente que os portugueses estavam habituados a ver chorar. Começou naquele dia de 1995, ainda de pré-campanha para as eleições presidenciais de janeiro seguinte – em Coimbra, Jorge Sampaio cedeu à emoção, o rosto ficou vermelho, as lágrimas a correrem e a voz embargada a lembrar os tempos das lutas académicas, das lutas contra a ditadura salazarista.

Era um homem de lágrima fácil, mas também capaz de dar a maior bronca em público a quem o irritasse. Os portugueses não estavam habituados a que um político lhe entrasse pela casa adentro a chorar e Sampaio, nesse aspeto, teve o dom de humanizar a política.

Antes de Belém, Jorge Sampaio chegou à presidência da Câmara Municipal de Lisboa em 1989, deixando para trás alguém que também viria a ocupar o Palácio de Belém – Marcelo Rebelo de Sousa. Nessa luta eleitoral, conseguiu o grande feito político de juntar em coligação o PS e o PCP.

Anunciou a candidatura à Presidência da República numa jogada de antecipação, não fosse o então líder do PS, António Guterres, optar por outro candidato. Escolheu simbolicamente a Reitoria da Universidade de Lisboa, enquanto na esfera política oposta, Cavaco Silva alimentava o tabu sobre as presidenciais.

A 14 de janeiro de 1996, os portugueses escolheram-no para Presidente da República – venceu com 53,9% contra os 46% de Cavaco, que tinha mesmo decidido avançar. Sampaio conseguia assim a desforra das legislativas de 1991, quando era líder do PS, e foi derrotado pelo então primeiro-ministro que conseguiu a segunda maioria absoluta para o PSD.

O trabalho levado a cabo pelos homens do terreno, sobretudo Pedro Reis e António Manuel, tinha dado excelente resultado. Foi um trabalho árduo, Sampaio tinha saído derrotado das legislativas, era presidente da Câmara Municipal de Lisboa mas seria conhecido no Portugal profundo?

Foi esse Portugal que quis conhecer nos 10 anos de Presidência, numa política de forte proximidade com os portugueses, nas jornadas ou nas semanas temáticas. Indo a fundo nos problemas, dizendo o que considerava estar mal, tantas e tantas vezes incomodando o governo do seu próprio partido. Quer nas áreas da Educação e na Saúde, ou obrigando Guterres a demitir ministros, como aconteceu com Armando para depois da polémica sobre a criação da Fundação para a Prevenção e Segurança Rodoviária.

A ‘bomba atómica’

Na década em que foi inquilino no Palácio de Belém, Sampaio viu-se obrigado a convocar eleições antecipadas por duas vezes. A primeira foi em dezembro de 2001, depois da derrota socialista nas eleições autárquicas e em que Guterres profere o célebre discurso do “pântano” – com uma representação parlamentar 115-115, o primeiro-ministro considerou que não tinha condições para se manter. Jorge Sampaio exigiu-lhe consequências sobre um resultado eleitoral tão débil e o primeiro-ministro socialista demitiu-se.

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