Coligação indígena amazónica pede proteção para 80% da região

Coligação indígena amazónica pede proteção para 80% da região

Uma aliança de organizações indígenas da Amazónia pede esta sexta-feira a proteção internacional de 80% da vasta região até 2025, moção que será apresentada no próximo Congresso Mundial de Conservação, que acontecerá de 3 a 10 de setembro em Marselha (França), informou um comunicado

A Coordenadora das Organizações Indígenas da Bacia Amazônica (COICA) participará pela primeira vez como membro titular do congresso, organizado pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN). 

A moção “pede aos governos membros da IUCN que reconheçam os direitos à terra dos povos indígenas e comunidades locais, para permitir-lhes administrar todas as novas áreas protegidas encontradas em seus territórios tradicionais”, incluindo “aquelas que estão pendentes de solução” na Justiça. 

O objetivo é garantir que as comunidades indígenas de nove países da bacia amazônica administrem os vastos recursos naturais e contribuam para o combate às mudanças climáticas, explicou à AFP José Gregorio Diaz Mirabal, coordenador geral da entidade.

“Vamos simplesmente exercer o direito de voz e voto neste Congresso Mundial, com o objetivo de exigir do mundo nosso direito de existir como um povo, de viver com dignidade em nossos territórios”, disse ele em entrevista por telefone. 

A IUCN é um fórum híbrido, do qual participam governos e organizações não governamentais. Não tem poder de decisão, mas as moções que são aprovadas durante os congressos norteiam, em princípio, a política ambiental dos Estados participantes. 

Criada em 1948, a IUCN é a organização ambientalista mais antiga, a quem cabe preparar e atualizar regularmente a chamada “lista vermelha” de espécies ameaçadas de extinção. 

Os povos indígenas da bacia amazônica estão assentados em cerca de 237 milhões de hectares de selva, segundo cálculos da ONU. E essas terras representam 14% do carbono armazenado nas florestas tropicais globalmente.

A comunidade internacional deve estar disposta a pagar para preservar a enorme riqueza ecológica e o papel que a Amazônia desempenha na preservação do equilíbrio do planeta, considera a COICA. 

“Não faz sentido que consultores e empresas venham ensinar aos indígenas o que eles devem fazer para preservar, que é o que sempre fizemos. Tem que ser um investimento direto, que nunca vem”, explicou seu coordenador à AFP.

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