Vacinação "abaixo do previsto” - Plataforma Media

Vacinação “abaixo do previsto”

No domingo, a vacinação foi retomada em Macau. As autoridades reafirmaram que as inoculações não são obrigatórias, nem vão criar incentivos à vacinação. No entanto, voltaram a apelar a que as pessoas o façam. Os últimos números levantados pelo PLATAFORMA indicam que há mais de 299,677 pessoas com a vacinação completa.  

Tai Wa Hou, coordenador do plano de vacinação, lamentou o aumento de 25 por cento na adesão à vacinação, considerando que o número continua aquém das expetativas. “Antes da testagem em massa administrávamos diariamente 3.000 doses. No entanto, nestes últimos dias, desde a retoma do plano de vacinação, vacinámos 5.000 pessoas por dia, ou seja, ficou abaixo do previsto. Achamos que as pessoas têm vontade de se vacinar, pelo que vamos continuar a apelar que o façam”, apontou na terça-feira, na habitual conferência de imprensa sobre a Covid-19 no território. 

Tai Wa Hou revelou ainda que estão a caminho de Macau 200 mil doses da vacina da Sinopharm enviadas por Pequim e que isso irá permitir reabrir todos os postos de vacinação do território e aumentar o limite diário de marcações para 10 mil. 

A vacinação ainda só atingiu os 70 por cento nos adultos entre os 40 e 49 anos de idade. A faixa etária com menor adesão são os idosos com mais de 60 anos e jovens com menos de 20 anos.  

Relativamente à taxa de vacinação ideal, o coordenador da vacinação respondeu ao PLATAFORMA que 80 por cento seria um resultado positivo. Tai Wa Hou explicou que, na sua análise, as diferentes eficácias demonstradas pelas vacinas disponíveis no território obrigam a uma imunização mais alta do que os 70 por cento que muitos virologistas defendem como a necessária para atingir a barreira imunológica.  

“Quando a taxa de vacinação atinge uma certa percentagem é difícil a vacinação continuar a aumentar, porque há pessoas que realmente não acreditam que a vacina seja eficaz”, explicou. Tai Wa Hou ainda acrescentou que acredita que o vírus não vai desaparecer e, portanto, “a única maneira de atingir a imunidade de grupo é através da vacinação, que irá permitir regressar à normalidade”. E se isso não acontecer “haverá um surto assim que abrirmos as fronteiras”, alertou.  

Ao PLATAFORMA, o coordenador da vacinação salientou que o passaporte Covid-19 só irá acontecer quando atingirem a taxa de vacinação ideal. “Essa é a nossa visão, mas vai ser difícil de atingir”, concluiu.  

Segunda ronda de testes: 

Na segunda-feira, em declarações ao programa Fórum da Ou Mun Tintoi, Alvis Lo disse que, caso seja necessário realizar uma segunda ronda de testes, já estão pensados os ajustes ao plano: “Vamos aumentar o número de postos de recolha de amostras. E também a disposição dos locais de recolha. Vamos proceder igualmente a ajustes no processo de marcação. Relativamente à emissão do código de saúde, vamos rever os procedimentos, de forma a minimizar as falhas que ocorreram.” 

A 4 de agosto, no primeiro dia de testagem, os sistemas do código de saúde e de marcação prévia falharam. Nos locais designados para realização dos testes, os recursos humanos estavam em défice, resultando num elevado número de pessoas, inclusive idosos, grávidas e crianças que, por várias horas, esperaram em longas filas que se estendiam fora das estações. 

No domingo, Tai Wa Hou, médico-adjunto da direção do Centro Hospitalar Conde de São Januário, disse que se não se registar qualquer caso entre as pessoas que estão a fazer observação médica e que tiveram contactos com os quatros casos confirmados na semana passada, não haverá necessidade de se realizar uma segunda ronda de testes a toda a população. Ainda disse que se os residentes e turistas apresentarem sintomas respiratórios da doença, podem voluntariamente marcar um teste de ácido nucleico, sendo que estes últimos não têm qualquer custo associado, mas também não serão atualizados no código de saúde e para entrar e sair do território. 

55 pessoas recusaram fazer o teste 

Após o período de testagem em massa da população, pelo menos 55 pessoas recusaram ser testadas, mesmo após o contacto dos serviços de saúde, alegando “que o teste não tinha qualquer utilidade” ou que “devia ser voluntário”.  

Na terça-feira, Tai Wa Hou revelou ainda que das 55 pessoas que recusaram inicialmente a fazer o teste durante o programa de testagem em massa, 16 já fizeram o teste e 34 foram levadas pela polícia aos postos de testagem, só saindo de lá após a obtenção do resultado. Os restantes já foram contactados ou já não estão no Território.  

Uma das pessoas recusou-se a fazer o teste de ácido nucleico e seria submetida a quarentena mas, na conferência de imprensa de quinta-feira, as autoridades confirmaram que irá mesmo fazer o teste.  

Detetada a presença do coronavírus em oito amostras ambientais: 

As autoridades de Macau detetaram a presença do novo coronavírus em oito amostras ambientais recolhidas após a desinfeção dos locais onde estiveram as quatro pessoas infetadas com a variante Delta. 

As amostras foram recolhidas em casa e “nos locais de trabalho e instalações usadas por cada doente”, incluindo em “supermercados, restaurantes e bibliotecas”, explicaram os Serviços de Saúde do território, em comunicado. 

Vestígios do vírus foram encontrados “no veículo profissional que era conduzido pelo doente do sexo masculino”, um trabalhador do setor da saúde, e “na lancheira que estava colocada num pequeno frigorífico do seu local de trabalho”, pode ler-se na nota. 

Os locais foram “novamente limpos e desinfetados” e as pessoas que tiveram acesso a estes “foram submetidos a quarentena”, acrescentaram. 

Teste negativo passa para 48 horas 

Desde as 6 horas da manhã de terça-feira, quem atravessar os postos fronteiriços entre a Província de Guangdong e Macau devem apresentar, um certificado de teste de ácido nucleico com resultado negativo, emitido dentro das 48 horas anteriores (em vez de 12 horas). Num comunicado divulgado na noite de segunda-feira, o Centro de Coordenação de Contingência do Novo Tipo de Coronavírus aponta ainda que a validade dos testes noutros postos fronteiriços, permanece inalterada. 

Os passageiros que queiram sair de Macau por avião também terão de apresentar um teste negativo de 48 horas. 

Desde o início da pandemia, Macau diagnosticou 63 casos, dos quais 58 são importados e cinco relacionados com casos importados. Já tiveram alta 57 pessoas e não há registo de qualquer infeção entre os profissionais de saúde.  

Os mais de 716 mil testes à Covid-19, realizados entre quarta-feira (4) e sábado (7), na sequência da testagem em massa, deram negativo à Covid-19. No entanto, na segunda-feira (9), o diretor dos Serviços de Saúde alertou que não se pode baixar a guarda durante os 14 dias após a confirmação dos casos detetados, apesar da situação estar aparentemente controlada.  

Alvis Lo Iek Long disse que é preciso continuar a fortalecer o trabalho de investigação epidemiológica e identificar os contactos próximos e contactos por via secundária. Admitiu ainda que o número de pessoas em observação médica que, até à data de publicação são cerca de 46 mil, pode vir a aumentar. Todas as pessoas em observação fizeram testes de ácido nucleico múltiplas vezes, e os resultados voltaram negativos. 

O Centro de Coordenação e Protecção Civil informou que o estado de prevenção imediata terminou às 22 horas de terça-feira. Esteve em ação durante uma semana.  

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