O poder da criatividade - Plataforma Media

O poder da criatividade

A mais recente Cimeira do Partido Comunista Chinês, que contou com a participação de líderes de mais de 500 organizações políticas de 160 nações e cerca de 10 mil líderes partidários, foi um evento sem precedentes e uma utilização inovadora deste modelo. A China atualmente é um país com infinita criatividade. Durante a sua luta contra a pandemia em 2020, tirou partido de recursos de videochamada para organizar e gerir o combate epidémico, com uma distribuição de informação sempre altamente eficaz e precisa. Wuhan, na província de Hubei, na linha da frente antiepidémica, conseguiu vencer esta batalha no espaço de dois meses. Durante os surtos que se seguiram pelo resto do mundo, a China organizou também videoconferências com outros países, mostrando o grande valor deste método de diálogo iniciado pelo país. Se não fosse a pandemia, talvez ainda estivéssemos a ouvir que diplomacia, reuniões e cimeiras por videoconferência não são suficientemente formais ou não têm o mesmo impacto. No entanto, este contexto fez com que a China tirasse partido da situação única que vivemos para desenvolver a sua diplomacia online, que acabou por não afetar o nível de influência das suas atividades diplomáticas, mostrando-se até mais conveniente, mais eficiente e possibilitando uma participação mais alargada. Esta poderá até ser considerada uma forma importante de diplomacia, e a atual cimeira é um exemplo disso mesmo, contando com a participação de mais de 10 mil membros de 500 organizações políticas de 160 diferentes países. Se não fosse a internet, como seria possível tal feito? 

Quanto maior for a escala de um evento, maior será o seu poder de influência, ou seja, caso este modelo seja alargado no futuro, a sua relevância também irá crescer. Assistir ao sucesso de uma cimeira como esta faz lembrar a reunião de ministros dos negócios estrangeiros dos membros da ASEAN (Associação de Nações do Sudeste Asiático). Organizada pelo Secretário de Estado americano Antony Blinken, no dia 25 de maio, acabou por ser cancelada devido a uma falha no sistema. Os Estados Unidos fizeram 10 ministros esperar uma eternidade, e só depois cancelaram o evento. Um acontecimento diplomático de uma potência tão grande, tratado de forma tão descuidada, faz com que os EUA percam alguma da sua credibilidade. Em comparação com a videoconferência americana, em que não foi possível concluir uma reunião entre uma dúzia de ministros, o sucesso da China na organização de um evento que envolve mais de 160 nações é ainda mais marcante.  

*Editor Senior do PLATAFORMA 

Este artigo está disponível em: 繁體中文

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