CPLP: Reforço da cooperação económica "é um caminho muito promissor"

CPLP: Reforço da cooperação económica “é um caminho muito promissor”

O ministro dos Negócios Estrangeiros português disse hoje que o reforço da cooperação económica na (CPLP), proposto pela futura presidência angolana “é um caminho muito promissor” que deve envolver as agências de investimento dos Estados

“Convém não esquecer que a grande proposta de Angola, a prioridade da presidência angolana, que começa no sábado, (…) é justamente reforçar a cooperação económica no espaço da CPLP e julgo que esse é um caminho muito promissor”, afirmou Augusto Santo Silva, em entrevista à Lusa em vésperas da XIII Cimeira de Chefes de Estado e de Governo da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, que começa na sexta-feira, em Luanda.

“Eu diria que pode vir a ser um pilar novo na CPLP. Neste momento, trata-se de reforçar a componente económica da CPLP (…), a nossa cooperação económica, tentando fazer deste espaço, também um espaço amigo do investimento e das trocas comerciais”, acrescentou, num momento em que a organização celebra 25 anos, no próximo dia 17.

Para fazer isso, “é muito importante mobilizar as agências públicas encarregadas do investimento e do comércio externo, a AICEP [Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal], portuguesa, e as homólogas que vários outros países da CPLP têm”, defendeu.

Segundo o ministro, “é muito importante que estas agências públicas, que conhecem as empresas, que conhecem os mercados, que conhecem as oportunidades trabalhem mais em conjunto”, defendeu.

A intenção, explicou Augusto Santos Silva, “não é substituir” o papel da Confederação Empresarial da CPLP, que já existe, ou da União dos Exportadores da CPLP ou da Federação de Mulheres Empresárias e Empreendedoras da CPLP.

O ministro realçou o papel destas organizações, que na sua opinião, têm feito “um trabalho muito importante, oriundo da sociedade civil”. “A intenção de envolver as agências de investimento “é para apoiá-lo e para complementá-lo”, sublinhou.

Segundo o MNE português, o objetivo de envolver as Agências de Investimento dos Estados-membros “é sobretudo dar músculo e capacidade de ação”.

Santos Silva recordou que a nível bilateral tem havido um incremento das relações entre, por exemplo, a agência de investimento portuguesa e a brasileira ou entre a agência portuguesa e angolana. “Agora do que se trata é podermos ter um plano de ação, consistente, com prazos com objetivos”, afirmou.

Para o chefe da diplomacia portuguesa, desenvolver a cooperação económica entre os Estados implica ainda também dar passos em frente noutros aspetos para que esta possa avançar.

“Esse reforço da cooperação económica também há de passar, mais cedo ou mais tarde, pela identificação dos obstáculos que ainda haja ao desenvolvimento de parcerias económicas dentro da CPLP e a um esforço dos Estados-membros para superar esses obstáculos”, defendeu, exemplificando com tarifas alfandegárias ou controlos fitossanitários.

“As relações económicas já existem a ideia é incrementá-las e, não só apoiar deliberadamente o esforço dos nossos investidores, mas também dos nossos trabalhadores no espaço económico da CPLP, como ir removendo todas as barreiras ao incremento das nossas relações”, considerou.

Neste contexto o que projeto da Presidência angolana vem trazer de novo é um “assumir como sua prioridade fundamental e, portanto, como a imagem de marca, a ‘marca d’água’ da sua presidência, o reforço da cooperação económica”.

Referindo que na presidência cabo-verdiana, que agora termina, foi concluído o acordo de mobilidade, que permitiu reforçar a componente de cidadania da CPLP, Santos Silva considerou que com Angola, a CPLP vai reforçar a componente económica.

Na Cimeira de Chefes de Estado e de Governo da CPLP, que decorre na sexta-feira e no sábado, em Luanda, a presidência cabo-verdiana, que teve como a sua grande bandeira a mobilidade, cessa a sua vigência, sucedendo-lhe Angola na liderança da organização, por dois anos.

O lema da presidência de Angola é “Construir e fortalecer um Futuro Comum e Sustentável”.

A CPLP conta com nove Estados-membros: Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Guiné Equatorial, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste.

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