Prisão de opositor na Venezuela lança dúvidas sobre diálogo com Maduro

Prisão de opositor na Venezuela lança dúvidas sobre diálogo com Maduro

Os Estados Unidos instaram nesta terça-feira (13) a Venezuela a libertar imediatamente um opositor detido na segunda-feira, alertando que sua prisão lança dúvidas sobre a vontade declarada do presidente Nicolás Maduro de negociar com a oposição

O governo Joe Biden condenou a “detenção injusta” de Freddy Guevara, acusado pela promotoria venezuelana de “terrorismo” e “traição”, assim como o “assédio” contínuo sobre seu aliado Juan Guaidó, líder da oposição, considerado presidente interino por Washington.

“Esses atos repreensíveis são incompatíveis com os esforços para criar condições para negociações abrangentes entre a oposição venezuelana e o regime de Nicolás Maduro para resolver a crise na Venezuela”, disse o porta-voz do Departamento de Estado, Ned Price, em uma entrevista coletiva. 

“Pedimos a libertação imediata do parlamentar Guevara e instamos a comunidade internacional a se unir na condenação de sua detenção de forma enérgica”, acrescentou.

Kevin O’Reilly, alto funcionário do Departamento de Estado, disse que a prisão de Guevara é “absolutamente inaceitável” e afeta a credibilidade das eleições de novembro para prefeito e governador no país sul-americano. 

“A obstrução da oposição política a Maduro certamente torna mais difícil demonstrar que Maduro e seus apoiadores permitirão uma competição justa”, disse O’Reilly durante um debate virtual sobre as eleições regionais na Venezuela organizado pelo instituto Atlântico Council.

Os Estados Unidos, que não reconhecem o mandato de Maduro iniciado em 2019 e o da Assembleia Legislativa em 2020 em decorrência de eleições fraudulentas, promovem a “restauração democrática” na Venezuela por meio de eleições “livres e justas”.

Nesse sentido, O’Reilly destacou a importância de todo o processo eleitoral, não apenas a votação em si, obedecendo a padrões internacionalmente reconhecidos.

“Certamente, com base no que aconteceu ontem [com Guevara], estou um pouco cético de que haja boa vontade para permitir que isso aconteça”, disse ele.

Sanções podem ser revistas

O’Reilly enfatizou a necessidade de eleições locais, legislativas e presidenciais “confiáveis, inclusivas, transparentes, que permitam aos venezuelanos escolher seu próprio rumo, seja ele qual for”.

“Todos nós precisamos ver um progresso concreto nessas áreas críticas”, disse ele.

Guevara fez parte do grupo de oposição que se reuniu na semana passada com uma delegação da União Europeia que estuda a possibilidade de enviar uma missão de observação eleitoral para as eleições de 21 de novembro.

Maduro disse nesta segunda-feira que o México sediará as negociações que estão sendo promovidas com a oposição com a mediação da Noruega, mas insistiu em condicionar sua participação ao levantamento das sanções internacionais.

O ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, impôs amplas sanções para pressionar a saída de Maduro, no poder desde 2013.

O’Reilly, subsecretário adjunto do Departamento de Estado para Assuntos do Hemisfério Ocidental, disse que o princípio orientador da política de sanções dos EUA “é encorajar” mudanças de comportamento. 

“Se virmos medidas sinceras e abrangentes que farão a Venezuela avançar rumo à estabilidade, democracia e Estado de Direito (…), revisaremos e possivelmente modificaremos e revisaremos nosso regime de sanções”, prometeu.

Ele também disse que Washington está focado em “objetivos humanitários” na Venezuela, que já foi uma potência do petróleo mas atualmente vive um desastre econômico e social agravado pela pandemia que, segundo a ONU, forçou a saída de 5,6 milhões de pessoas nos últimos anos.

O’Reilly destacou que o Departamento do Tesouro autorizou na segunda-feira a exportação até julho de 2022 de gás liquefeito de petróleo (GLP) para a Venezuela, proibida na era Trump. Este combustível é comumente usado para cozinhar. 

“Vemos que é fundamental para o bem-estar dos venezuelanos, em seu dia a dia, que eles possam se concentrar, esperamos, em questões políticas mais amplas”, disse. 

“E continuamos buscando formas de apoiar os esforços internacionais para que as vacinas para enfrentar o desafio desta pandemia possam entrar na Venezuela”, acrescentou.

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