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Voluntário, mas obrigatório

Johnson ChaoJohnson Chao*

Foi revelado que uma empresa de jogo em Macau obrigou os funcionários a serem vacinados para aumentar a taxa de vacinação face à pandemia de Covid-19. Algumas funcionárias grávidas tiveram de solicitar um certificado de gravidez para evitar a vacina, tendo a empresa ainda “aconselhado” mães em período de amamentação para o interromperem de modo a poderem vacinar-se. A gerência da empresa respondeu à polémica negando o incidente, afirmando não entender “a razão pela qual os media o relataram”.

Em resposta, os Serviços de Saúde de Macau afirmaram que seriam tomadas medidas caso as alegações se revelassem verdadeiras, enfatizando que a vacina é voluntária e opcional.

De facto, a melhor forma de combater a epidemia é através da vacinação, porém, trata-se de uma decisão pessoal.

As empresas não devem obrigar os funcionários a serem vacinados para “garantir números”, nem discriminar contra aqueles que escolhem não o ser.

Em Macau, casos como este parecem ser apenas a ponta do iceberg. Recentemente alguns canais de notícias online revelaram que um banco chinês também obrigou os seus trabalhadores a receberem a vacina, com datas limite para atingir uma certa percentagem de vacinação. Numa sociedade civilizada e aberta, a vacinação deve ser uma escolha pessoal e os funcionários podem ter razões para não o fazer, seja por motivos de saúde ou apenas por preferirem esperar algum tempo. Os líderes das empresas também não merecem qualquer mérito por percentagens que resultem de vacinações impostas.

Naturalmente, o aumento na taxa de vacinação é algo positivo para a sociedade, especialmente em Macau, que depende da indústria turística para dinamizar a economia. Todavia, não é razão para tornar a vacinação numa obrigatoriedade.

*Editor da edição em chinês do Plataforma

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Meio de comunicação social generalista, com foco na relação entre os Países de Língua Portuguesa e a China

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