Empresários mantêm interesse no investimento em Cabo Delgado

Empresários mantêm interesse no investimento em Cabo Delgado

O clima de instabilidade presente na província de Cabo Delgado, no norte de Moçambique, não altera as pretensões dos empresários portugueses em investir na região,  embora seja “perfeitamente normal chegar à conclusão de que a situação de insegurança causa dificuldades para a atividade económica”, afirmou à Lusa o secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros e Cooperação português, Francisco André

“Apesar destas dificuldades, eles querem continuar a trabalhar para se manterem aqui e traçarem um caminho em conjunto com os moçambicanos, com quem vivem todos os dias, para ajudar na recuperação económica da região”, afirmou, acrescentando que a presença de Portugal num momento em que Moçambique precisa, é um sinal de amizade e boa cooperação.

“Moçambique é o maior destinatário da ajuda pública ao desenvolvimento por parte de Portugal, coisa que nos enche de satisfação e mostra bem o nível da nossa relação”, afirmou Francisco André, salientando que, além do apoio ao país africano face à violência armada em Cabo Delgado, a disponibilização de um lote de 50 mil vacinas para o povo moçambicano simboliza as boas relações entre os dois estados.

No seu primeiro dia de visita a Moçambique, Francisco André acompanhou, em Pemba, a chegada do primeiro de três aviões que vão garantir a ponte aérea humanitária da União Europeia para apoiar as populações afetadas pela violência armada em Cabo Delgado, uma iniciativa coordenada entre Portugal e Itália.

Cabo Delgado, província que acolhia o maior investimento privado em África para exploração de gás natural liderado pela Total (da ordem dos 20 mil milhões de euros), é assolado por ataques armados desde 2017, sendo alguns reclamados pelo grupo rebelde Estado Islâmico.

No fim de abril, a petrolífera Total suspendeu indefinidamente a atividade em Moçambique, invocando motivos de “força maior”. No projeto residia para muitos a esperança de ver Moçambique crescer economicamente na próxima década.

De acordo com informações avançadas pelo presidente da Confederação das Associações Económicas de Moçambique, Agostinho Vuma, no segundo trimestre do ano, cerca de 400 empresas fecharam e 56 mil empregos desapareceram nos distritos afetados, registando-se um impacto de 80 milhões de euros. No entanto, a quebra na economia também foi registada fora das zonas afetadas, com outras 700 a fecharam e 143 mil camponeses largaram o setor agrário familiar.

A onda de violência já provocou mais de 2.800 mortes segundo o projeto de registo de conflitos ACLED e 732.000 deslocados de acordo com a Organização das Nações Unidas (ONU).

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