Manifestantes da Birmânia “enterram” líder da junta em comemoração do seu aniversário

Manifestantes da Birmânia “enterram” líder da junta em comemoração do seu aniversário

Os manifestantes pró-democracia na Birmânia marcaram hoje o aniversário do líder da junta, que tomou o poder em fevereiro, queimando os seus retratos e encenando o seu “funeral”

Desde o golpe de Estado que destituiu a líder civil eleita, Aung San Suu Kyi, a Birmânia tem enfrentado incessantes manifestações, greves e outras formas de protestos, apesar de uma repressão sangrenta que provocou quase 890 mortos e levou 6.500 pessoas à prisão, de acordo com uma organização não-governamental local.

Hoje, dia do aniversário do general Min Aung Hlaing, inúmeras pessoas publicaram nas redes sociais fotos da ‘mohinga’, a sopa de macarrão tradicionalmente servida em funerais.

“Fiz ‘mohinga’ no aniversário dele, porque quero que morra rapidamente”, disse um residente de Rangoun à agênbcia francesa de notícias, AFP.

“Tantas pessoas inocentes perderam a vida por sua causa. Portanto, se morresse, todo o país ficaria contente”, acrescentou.

Segundo a agência noticiosa espanhola, Efe, milhares de birmaneses saíram às ruas do país para protestar, uma vez mais, contra o golpe militar e em rejeição ao líder golpista.

Em cidades do leste do estado de Kayah (estado de Karenni), os manifestantes simularam o funeral do líder militar com caixões onde aparece a sua foto e grinaldas com frases como: “Que nunca descanse em paz” ou “Que o seu aniversário e a sua morte coincidam”, refere o portal Khit Thit Media, citado pela Efe.

Em Mandalay, a segunda maior cidade do país, os manifestantes queimaram fotos do líder da junta e atearam fogo em caixões falsos, celebrando o seu “funeral”, refere ainda a AFP.

Min Aung Hlaing comemora hoje 65 anos, idade que o obrigaria a aposentar-se como chefe das Forças Armadas, de acordo com a Constituição de 2008.

Alguns analistas acreditam que esse fator não é alheio ao golpe, já que a derrota do partido militar nas eleições legislativas do ano passado excluiu qualquer possibilidade de permanecer no poder após a sua aposentação.

Antes do golpe, Min Aung Hlaing já estava condenado ao ostracismo pela comunidade internacional, que o considera o principal responsável pela violenta repressão contra os rohingya, em 2017.

O seu discurso de ódio contra esta minoria muçulmana levou-o a ser banido do Facebook.

Investigadores da Organização das Nações Unidas (ONU) pediram que ele e outros altos oficiais militares fossem julgados por genocídio.

Min Aung Hlaing sempre negou essas acusações, afirmando que as operações militares eram necessárias para combater os rebeldes Rohingya.

O exército birmanês justifica o golpe por uma alegada fraude eleitoral nas eleições de novembro passado, cujo partido liderado por Suu Kyi arrasou, como já tinha acontecido em 2015, em eleições que foram consideradas legítimas por observadores internacionais.

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