População de Shenzhen acredita na capacidade de controlo do vírus

População de Shenzhen acredita na capacidade de controlo do vírus

O primeiro novo caso positivo de Covid-19 foi registado há pouco mais de um mês – a 21 de maio – em Guangdong. Durante este curto espaço de aproximadamente um mês, o desenvolvimento do vírus esteve sob controlo, embora existam ainda pequenos surtos locais. A população continua a fazer a vida normal e a ir trabalhar todos os dias. Não foi sentida qualquer tensão ou perda de controlo e tudo parece estar igual. Talvez esta confiança da população se deva ao que é considerado como o bom trabalho de controlo e prevenção do Governo e autoridades.

Desde o surto de SARS, em 2003, até ao aparecimento do novo vírus em Wuhan, em 2019, até ao presente, agora com um novo surto em Shijiazhuang, há registos de pequenos e grandes incidentes na China: o sismo de Wenchuan, as cheias em diferentes regiões e, em todas as situações, ficou demonstrada a eficiência das ferramentas utilizadas no país para restabelecer a normalidade do dia-a-dia.

Quem reside em Shenzhen, mesmo não estando no epicentro do surto em Guangzhou, vive numa região que faz também parte dos locais afetados. Coincidentemente, no passado dia 17, na semana em que este artigo começou a ser preparado, foi confirmado um caso positivo no Aeroporto de Bao’na. Trata-se de Zhu, de 21 anos, funcionário de um restaurante do aeroporto, que reside num prédio na Rua Comercial e Residencial Xiashiwei, do subdistrito de Fuyong. No dia em que este caso foi detetado, o complexo de apartamentos onde reside foi imediatamente fechado, sem autorizações de entradas ou saídas, para realização de testes a todos os que ali se encontravam, assim como aos habitantes residentes num perímetro definido uma vez por dia. O resto do distrito de Bao’an foi também testado e os residentes obrigados a usar máscara e a apresentarem o código de saúde. Todas estas medidas foram aplicadas num período de 24 horas.

No mesmo dia em que o caso foi confirmado, Xiao, um funcionário no Parque de Ciência e Tecnologia Aeroespacial do distrito de Nanshan, também testou positivo num exame realizado no Hospital da Universidade de Pequim em Shenzhen. Foi nesse dia que vários casos surgiram em diferentes distritos, todos da variante indiana Delta (B.1.617.2), a mesma estirpe presente no surto em Guangzhou.

Guangdong, enquanto província central para o comércio internacional, é responsável por mais de 90% da entrada de pessoas no país (dados pós-pandemia). Por isso, num movimento de pessoas de grandes dimensões existem casos importados diariamente. Ninguém sabe qual a origem do atual surto, ou como é que o primeiro caso nacional aconteceu, mas com as atuais bases de dados, através de análise e sequenciação de genomas do vírus, é possível traçar o movimento desta propagação e o respetivo início. Todavia, este continua a ser um inimigo forte, que não se consegue vencer. Resta apenas continuar a fortalecer o controlo e as respostas.

Muitas pessoas têm-se mantido em Shenzhen nas últimas semanas, devido aos riscos das viagens entre cidades e às medidas de controlo impostas pelo Governo. Nesta situação encontram-se mais 18 milhões de pessoas em Shenzhen, as quais têm cumprido e cooperado com todas as regulamentações impostas no âmbito da pandemia. Até ao dia em que este artigo foi escrito, todos os residentes do distrito de Bao’an têm sido testados a cada 72 horas, demonstrando não só a grande quantidade de recursos humanos que estão a ser direcionados para a prevenção, tal como os níveis de cooperação da população.

Rong Ge, dono de um restaurante em Shenzhen há oito anos, mudou-se para Fuyong em 2019 para gerir um pequeno negócio. Tal como muitos outros proprietários deste género de estabelecimentos, foi obrigado a encerrar o espaço depois de ordens do Governo no início desta semana, limitando a atividade de restauração a serviços de take-away. Dentro do restaurante, Rong Ge também preparou o balcão para evitar o contacto direto com os clientes que ali vão apanhar as respetivas refeições. “A saúde é o mais importante. O dinheiro pode ser recuperado e conquistado com o tempo”, diz. Estas palavras refletem o modo de pensar, genericamente, dos residentes de Shenzhen. Todos continuam a fazer uma vida normal, a viajar de metro e outros transportes públicos, mas sempre de máscara, numa clara resposta positiva ao controlo epidémico da cidade. Muitos têm receio de ser infetados, mas mesmo assim continuam a viver como habitualmente na cidade, sem pânico algum. Esta tranquilidade deve-se muito à forma como as autoridades têm até agora lidado com uma série de desastres e incidentes. Tal como acontece por todo o país, em todas as restantes cidades e com todas as populações.

Obviamente que estas medidas para controlo da epidemia no país acabam por trazer consequências à economia e negócios locais e nacional. Desde meados desta semana que diversos espaços fechados e que normalmente acolhem grandes ajuntamentos de pessoas foram encerrados (incluindo centros desportivos, ginásios, saunas, espaços de massagens, centros de pedicura, spas, centros de estética, cibercafés, bares, espaços de karaoke, cinemas, escape rooms). Centros de cuidados infantis e institutos de ensino presencial também foram fechados, sem data prevista de reabertura. Ainda não é claro quantos pessoas podem vir a ser afetadas por estas medidas, mas as autoridades têm incentivado as empresas a continuarem a pagar salários (durante o período de quarentena) aos residentes que estão em isolamento sem terem violado nenhuma das regulamentações.

O vírus veio alterar comportamentos a nível global. Mudou a forma como se vive. Muitos hábitos tiveram de ser alterados ou ajustados a esta nova realidade. Todavia, a natureza dá sinais de vitalidade e há cada vez mais pessoas a redefinir o respetivo estilo de vida. A consciência de que a relação entre a humanidade e o meio ambiente tem de mudar de paradigma tem vindo a conquistar terreno. As preocupações ambientais e a relação da humanidade com tudo o que a envolve ganha todos os dias novos adeptos. Mais do que controlar a epidemia, tem de se pensar em como a sociedade vai evoluir daqui para a frente.

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