NATO aponta China, Rússia, cooperação com UE e Afeganistão como prioridades

NATO aponta China, Rússia, cooperação com UE e Afeganistão como prioridades

A China, a Rússia, novas ameaças, Afeganistão e a cooperação com a União Europeia vão ser as prioridades da NATO no futuro próximo, numa cimeira hoje concluída em Bruxelas e assinalada por diversos encontros bilaterais

No comunicado final, os líderes da NATO centraram o fundamental das suas preocupações geopolíticas na China e a Rússia, que têm intensificado a cooperação entre si e são consideradas uma ameaça aos interesses dos aliados, em particular a “aproximação” às suas fronteiras.

Nestas conclusões, a China surge como um permanente desafio à segurança e é acusada de tentar alterar a “ordem mundial”, que também se manifesta através de um rápido desenvolvimento dos seus mísseis nucleares.

“As declaradas ambições da China e o comportamento assertivo da China representam desafios sistemáticos à ordem internacional baseada em regras e a outras áreas relevantes para a segurança da Aliança. Preocupam-nos as políticas coercivas que contrastam com os valores fundamentais que preserva o Tratado de Washington”, advertiram.

A China, sublinham as conclusões, “é opaca na implementação da sua modernização militar e na sua estratégia de fusão civil-militar declarada publicamente”, e também “coopera militarmente com a Rússia, incluindo através da participação em exercícios russos na área euro-atlântica”.

“Continuamos preocupados com a habitual falta de transparência e do uso da desinformação por parte da China”, frisaram.

Numa referência à Rússia, foi concluído que o “crescente reforço” da sua capacidade militar, para além “da sua postura mais afirmativa, as suas inovadoras capacidades militares e as suas atividades provocadoras, designadamente na proximidade das fronteiras da NATO (…) constituem uma crescente ameaça para a segurança da zona euro-atlântica e contribuem para a estabilidade ao longo das fronteiras da NATO e para além”. ´

A “estratégia nuclear” da Rússia e a “modernização, diversificação e expansão dos seus sistemas de armas nucleares (…) contribuem para uma postura de intimidação estratégica que se torna mais agressiva”, assinala o texto.

“Enquanto a Rússia não demonstrar que respeita o direito internacional e que honra as suas obrigações e responsabilidades internacionais, não pode registar-se um regresso ao normal”, sublinham as conclusões.

O terrorismo “sob todas as suas formas e manifestações” também foi considerado uma “ameaça persistente” para os 30 países aliados, para além da “instabilidade para além das nossas fronteiras que também contribui para a imigração ilegal e tráfico de seres humanos”.

Neste aspeto, os aliados consideram que os ciberataques e os ataques no espaço podem “implicar que seja invocado o artigo 5.º do Tratado” que impõe o envio de ajuda a um país atacado.

A Aliança também reconhece a “importância de uma defesa europeia mais forte e adequada”, e indicou que os recentes esforços nesta área “conduzirão a uma NATO mais forte, ajudarão a reforçar” a “segurança comum, contribuirão para a partilha das responsabilidades, facilitarão a disponibilidade das capacidades necessárias, e suportarão um aumento global das despensas de defesa”.

Numa referência ao Afeganistão, a NATO fez questão de sublinhar que a “retirada” das suas tropas “não significa o fim” das relações com o país asiático, e promete “continuar a fornecer uma formação e um apoio financeiro às forças de defesa e de segurança nacional afegãs”, e manter um “gabinete do alto representante civil em Cabul para prosseguir o envolvimento diplomático e reforçar” a “parceria com o Afeganistão”.

Por fim, os líderes aliados decidiram que a próxima cimeira da NATO em 2022 vai decorrer em Espanha, e no ano seguinte na ex-república soviética da Lituânia.

No âmbito dos encontros bilaterais, o Presidente dos EUA, Joe Biden, destacou o “firme apoio” do seu país à segurança de Lituânia, Estónia e Letónia, num encontro com os respetivos líderes antes do início da cimeira da NATO, em Bruxelas.

O chefe de Casa Branca tinha ainda previsto um encontro bilateral com o homólogo turco Recep Tayyip Erdogan, com Irão, Síria e Nagorno-Karabakh como temas de topo na reunião.

Previamente, o Presidente francês, Emmanuel Macron, encontrou-se com Erdogan – que também se reuniu com Boris Johnson e Angela Merkel – para “esclarecer” os numerosos contenciosos franco-turcos dos últimos anos, indicou o palácio do Eliseu.

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