Recomendada cassação de mandato de deputada brasileira acusada de mandar matar marido

Recomendada cassação de mandato de deputada brasileira acusada de mandar matar marido

O Conselho de Ética da Câmara dos Deputados do Brasil recomendou na terça-feira, por 16 votos contra um, a cassação do mandato da deputada Flordelis de Souza, acusada do assassínio do marido, em 2019

Contudo, apesar da recomendação, a decisão final pela cassação caberá ao Plenário da Casa Parlamentar.

Para que Flordelis perca o mandato são necessários os votos de pelo menos 257 deputados (maioria absoluta) em votação aberta e nominal, não havendo ainda data para essa votação.

A deputada poderá ainda recorrer da decisão na Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ) da Câmara dos Deputados.

Flordelis é acusada pelo Ministério Público do Rio de Janeiro de ser a mandante do assassínio do marido, o pastor Anderson do Carmo, em junho de 2019, no Rio de Janeiro.

Os deputados que votaram pela cassação de Flordelis concordaram com as razões apontadas pelo relator do processo no Conselho de Ética, o deputado Alexandre Leite.

Segundo Leite, a parlamentar não conseguiu provar a sua inocência, tentou usar o mandato para cooptar um de seus filhos para assumir a autoria do crime, era a única da família com recursos para comprar a arma do crime e também teria abusado de prerrogativas parlamentares.

Sete dos 55 filhos de Flordelis e uma neta foram detidos e são suspeitos de envolvimento no crime.

Presente na reunião do Conselho de Ética, Flordelis voltou a negar que tenha mandado matar o marido e chorou ao pedir que os parlamentares aguardassem o seu julgamento pela Justiça, antes de tomar uma decisão.

“Venho, perante vocês, pedir que não cassem o meu mandato, pois o efeito dessa cassação viria de imediato tirar o sustento da boca da minha família, abrir para que meus detratores me mandem para a prisão, fazer com que eu perca minha capacidade de defesa. A Constituição diz que, para o crime de que sou acusada, os juízes competentes me julguem”, argumentou a parlamentar, citada no ‘site’ da Câmara dos Deputados.

Em agosto do ano passado, a deputada Flordelis dos Santos de Souza foi constituída arguida como mandante do assassínio do marido e pastor evangélico Anderson do Carmo, crime que chocou o país em 2019.

Segundo a Polícia Civil e o Ministério Público do Rio de Janeiro, que investigaram o caso, a deputada foi responsável pelo assassínio do marido, mas, apesar de ter sido denunciada à Justiça por cinco crimes, não foi detida porque tem imunidade parlamentar.

O assassínio ocorreu em 16 de junho de 2019, quando o casal, que tinha 55 filhos, dos quais 51 são adotados, chegou à residência após alegadamente ter participado numa cerimónia religiosa.

Na ocasião, a deputada do Partido Social Democrata (PSD), que também é pastora evangélica e cantora gospel, atribuiu o crime a uma tentativa de assalto à residência do casal e à violência que afeta o Rio de Janeiro.

Segundo o delegado Allan Duarte, responsável pela primeira fase da investigação, Flávio dos Santos Rodrigues, filho biológico da deputada, foi apontado como autor do crime, e Lucas César dos Santos, filho adotivo do casal, como a pessoa que comprou a arma.

No entanto, ações de investigação subsequentes permitiram às autoridades apontar a deputada como responsável pelo assassínio do marido e estabelecer que a causa do crime “teria sido a luta pelo poder e sua emancipação financeira”.

Flordelis de Souza tem imunidade legislativa e só pode ser presa em flagrante delito por crime hediondo.

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