A batalha das “zungueiras” na busca pelo sustento - Plataforma Media

A batalha das “zungueiras” na busca pelo sustento

Com o bebé às costas e a bacia de frutas na cabeça, Manuela José anda pelas ruas de Luanda para encontrar clientes depois de comprar o negócio no mercado do Catinton às 6h da manhã.

A sua rotina está apenas a começar. De permeio, enfrenta o perigo de, por distracção, ser “apanhada” por um fiscal e perder o negócio, o que implicaria grande prejuízo, porque todo o seu dinheiro está empatado nas frutas que procura vender.

Moradora do bairro Mundial, no Benfica, Manuela é mãe de quatro crianças, cujo sustento diário serve de tónico para a “zunga” a que se dedica, num trajecto de coragem e perseverança. Sol ardente e cansaço físico pelo longo trajecto não a impedem de alcançar o objectivo de levar a refeição do dia seguinte aos filhos.

“Geralmente, acordo muito cedo, cerca das 4h e 30 minutos, a fim de pegar o primeiro autocarro e assim economizar um pouco, porque pago apenas 50 kwanzas”, disse, explicando que consegue diariamente comprar frutas variadas de 10 mil kwanzas. A par da bacia na cabeça, Manuela José carrega igualmente a esperança de vender tudo o que tem, a andar nas ruas cidade de Luanda, para lucrar aproximadamente 8 mil kwanzas se não sobrar produto.

Quando assim acontece, conta, corre logo para casa a fim de preparar uma boa refeição para os quatro filhos que deixou a dormir. Há, porém, aqueles dias em que “o negócio só anda das 18h em diante e temos que chegar a casa muito tarde. Estes são os dias mas tristes para as crianças que estão habituados a ver-me chegar cedo a casa. Tento sempre estar em casa às 19h no máximo”, assegurou.

De aspecto humilde, olhar determinado, atou o bebé que carregava às costas com um pano amarrado à frente à altura do peito, arriscando-se muitas vezes em meio ao tumultuado trânsito.

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