Venezuela: Oposição diz que Saab será extraditado para os EUA - Plataforma Media

Venezuela: Oposição diz que Saab será extraditado para os EUA

A oposição venezuelana disse hoje que o empresário Alex Saab, considerado testa-de-ferro do Presidente Nicolás Maduro, será extraditado de Cabo Verde para os EUA e prometeu que os corruptos serão confrontados com a justiça internacional.

“Confirmamos que Alex Saab será extraditado de Cabo Verde para os EUA. Será transferido em um avião da DEA. Os criminosos não pagam com malinhas [de dinheiro] pagam com prisão” anunciou, através do Twitter, o representante do líder opositor Juan Guaidó na área “contra o terrorismo e o crime organizado”.

Carlos Paparoni frisou ainda que a oposição venezuelana continuará “trabalhando até conseguir justiça para todos os venezuelanos”.

“O nosso trabalho não termina aqui. Estamos determinados a levar à justiça internacional todos os responsáveis pela destruição e corrupção no país. Todos os que se tornaram milionários com a fome dos venezuelanos verão a cara da justiça”, afirma numa outra mensagem.

Segundo Carlos Paparoni, em setembro de 2019 a oposição venezuelana conseguiu “uma sanção económica contra Saab por corrupção, sobrepreços e lavagem de dinheiro, sancionando 3 dos seus sócios e colocando na lista negra 16 entidades relacionadas, na Colômbia, Panamá e Itália”.

“Cada dólar que roubam na Venezuela tem a participação de Saab. Cada euro que usam na Venezuela para apoiar grupos vinculados ao terrorismo tem a participação da estrutura financeira da Saab. Cada grama de ouro que roubam da nossa terra passa pelas mãos da Saab”, afirma.

Segundo a oposição, “Saab tem vínculos estreitos com grupos nomeados publicamente pelo terrorismo, crime organizado e com indivíduos acusados de tráfico de drogas, e temos denunciado isso perante os países da região. É o principal suporte financeiro de Maduro no poder”.

“Saab é responsável pela corrupção através dos Comités Locais de Abastecimento e Produção (CLAP, distribuidores de alimentos a preços subsidiados pelo Estado) e pela operação logística e financeira da exploração ilegal do ouro venezuelano. Agradecemos a todas as nações que trabalham para combater esses grupos irregulares que representam uma ameaça para o continente”, explica Carlos Paparoni.

O político acusa o empresário de aproveitar contratos sobrevalorizados som os CLAP e diz que a oposição “há meses que articula pressões internacionais sem precedentes contra Alex Saab, a sua organização criminosa e os seus sócios”.

O Supremo Tribunal de Justiça cabo-verdiano autorizou, quinta-feira, a extradição para os EUA de Alex Saab, disse à Lusa fonte da defesa, que vai recorrer da decisão para o Tribunal Constitucional.

“Fomos hoje notificados da decisão do Supremo Tribunal de Justiça de Cabo Verde sobre o processo de extradição em curso contra o embaixador e ‘enviado especial’ Alex Saab”, explica a defesa, numa declaração enviada à Lusa em que refere que ainda está a “estudar” a decisão, que autoriza a extradição, rejeitando assim o recurso apresentado em janeiro.

“Entretanto, podemos afirmar que iremos interpor recurso para o Tribunal Constitucional e reafirmar a nossa confiança na libertação do embaixador Saab”, acrescenta.

Alex Saab, de 49 anos, foi detido em 12 de junho de 2020 pela Interpol e pelas autoridades cabo-verdianas, durante uma escala técnica no Aeroporto Internacional Amílcar Cabral, na ilha do Sal, com base num mandado de captura internacional emitido pelos Estados Unidos da América (EUA), quando regressava de uma viagem ao Irão em representação da Venezuela, na qualidade de “enviado especial”.

Por ter ultrapassado o prazo legal de prisão preventiva, o empresário colombiano foi colocado em prisão domiciliária, também na ilha do Sal, no final de janeiro, mas sob fortes medidas de segurança.

A Venezuela diz que Alex Saab viajava com passaporte diplomático daquele país, enquanto “enviado especial”, pelo que não podia ter sido detido.

A detenção de Alex Saab colocou Cabo Verde no centro de uma disputa entre os regimes de Nicolás Maduro, na Venezuela, e a presidência norte-americana, com Donald Trump.

Os EUA, que pedem a extradição do colombiano, acusam Alex Saab de ter branqueado 350 milhões de dólares (295 milhões de euros) para pagar atos de corrupção do Presidente venezuelano, através do sistema financeiro norte-americano.

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