Oikos promove recuperação agrícola em cenário "ainda muito desafiante"

Oikos promove recuperação agrícola em cenário “ainda muito desafiante”

Dois anos após ciclones Idai e Kenneth, a situação no terreno em Moçambique continua “desafiante”, com os esforços de recuperação a serem interrompidos a cada ano por novos ciclones, segundo coordenador de projetos da Oikos, Dinis Chembene

“É um cenário ainda muito desafiante porque este processo de recuperação do impacto do ciclone Idai, apesar das várias intervenções e das várias organizações a trabalhar, foi de certa forma interrompido por outros dois ciclones no ano passado e no início deste ano”, disse Dinis Chembene, por telefone, à agência Lusa a partir de Moçambique.

O coordenador de projetos da Oikos explicou que algumas famílias estavam a recuperar a componente agrícola e voltaram a perder “parte considerável da sua produção”.

“Isso colocou muitos entraves”, disse.

A organização portuguesa de cooperação para o desenvolvimento, que, no âmbito da resposta de Portugal aos ciclones, gere projetos de apoio à recuperação da produção agrícola nos distritos de Dondo e Nhamatanda, na província de Sofala, e Chiúre, em Cabo Delgado, apoiou 22.500 pessoas em parceria com Cáritas Portuguesa, Caritas Moçambicana, Associação de Defesa do Património de Mértola (ADPM) e associação Luarte.

“O cenário de recuperação pós-Idai está muito complicado porque a zona é muito vulnerável”, sublinhou Dinis Chembene, considerando que este cenário “reforça a importância dos projetos” de promoção da resiliência que a Oikos tem no país.

“Não é só apoiar as famílias a terem uma nova casa e dar sementes, mas apoiar a comunidade toda a responder melhor a estes desastres”, disse.

A somar aos desafios climáticos, a pandemia de covid-19, gerou, segundo Dinis Chembene, “um clima de incerteza” e “restrições de vária ordem”.

A Oikos, que apoiou cerca de 244 mil pessoas com entrega de alimentos e bens de primeira necessidade na fase inicial de emergência, está agora centrada na recuperação agrícola.

“Conseguimos estar desde o primeiro momento na resposta ao ciclone Idai. Trabalhamos com o Programa Alimentar Mundial na distribuição de alimentos nos distritos de Dondo e Nhamantanda e também, através do instituto Camões, estivemos na cidade da Beira a distribuir produtos não alimentares”, indicou Dinis Chembene.

A organização promove a entrega de sementes e materiais agrícolas, bem como a formação das comunidades em novas técnicas de cultivo, melhoria da capacidade de armazenamento e criação de novas fontes de rendimento baseadas na agricultura.

“Várias famílias até produzem, mas perdem-se muitos alimentos entre o tirar das ‘machambas’ até ao armazenamento nos celeiros, muitos deles precários. Estamos a trabalhar essa componente para que as pessoas produzam mais e com qualidade, mas também tenham capacidade de armazenar estes produtos para terem alimentação durante o ano todo e algum excedente para comercialização”, adiantou.

A Oikos está ainda a construir quatro escolas, num total 24 salas de aulas, com recurso a materiais disponíveis na região combinados com materiais industriais e a formar as comunidades sobre como construir de forma resiliente para responder a ciclones, cheias e inundações.

Além de servirem para as crianças aprenderem, a ideia é que, em momentos de desastre, as salas possam servir também como locais de abrigo para as comunidades.

O ciclone Idai atingiu o centro de Moçambique em março de 2019, causando a morte de mais de 600 pessoas e afetando outras 1,8 milhões.

Cerca de 90% da cidade da Beira, capital provincial de Sofala, foi destruída.

Estima-se que 2,9 milhões de pessoas nas áreas rurais (aproximadamente 2,1 milhões) e urbanas (800 mil) em todo o país vivam em situação de insegurança alimentar severa.

Na presente época chuvosa e ciclónica, que ocorre desde outubro, o centro de Moçambique já foi atingido pelo ciclone Eloise, em janeiro, e pela tempestade Chalane, no final de 2020, com um balanço oficial de 19 mortos.

Os desastres naturais que ocorreram nos últimos meses no país interromperam e condicionaram várias vias de acesso, isolando comunidades, o que dificulta a assistência humanitária.

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