Acordo UE-China deverá estender-se a Macau e Hong Kong

Acordo UE-China deverá estender-se a Macau e Hong Kong, prevê Sales Marques

O economista e académico José Luís Sales Marques entende que o recente acordo de investimentos firmado entre a União Europeia (UE) e a China não vai ter consequências diretas para Macau e Hong Kong, mas os benefícios desse entendimento vão estender-se às duas regiões administrativas especiais chinesas, ao integrarem o grupo de cidades da Área da Grande Baía (AGB).

“Há um aspeto muito particular, para o qual temos de olhar, uma vez que o acordo entre a UE e a China é aplicável em todas as cidades da província de Guangdong que integram o plano da AGB. E, estando já em curso um processo de integração haverá, de certeza, nem que seja indiretamente, repercussões positivas para Macau e Hong Kong. Há aqui muito campo para trabalhar e explorar. Esta é sem dúvida umas das grandes boas notícias do final de 2020 e do início de 2021”, disse.

Na opinião pessoal do também presidente do Instituto de Estudos Europeus de Macau, “o acordo não será estendido, automaticamente, a Macau e Hong Kong, duas regiões que são já mercados livres. Mas, ao ser alcançado ao mais alto nível, além do ponto de vista político é também importantíssimo nas vertentes, económica e social. Trata-se de um sinal muito positivo para as relações entre a UE, Macau e Hong Kong, dentro do princípio “um país dois sistemas”, e para as próprias relações exteriores chinesas, das quais as regiões estão dependentes.

Por isso, a questão política tem um aspeto muito positivo”. Para Sales Marques, o entendimento é, nos respetivos fundamentos, “um acordo político assumido pelos mais altos responsáveis da União Europeia e da China. Ou seja, é para avançar, para ir para a frente”.

“Depois de 35 rondas, ao longo de sete anos [as conversas iniciaram-se em 2014], os líderes dos dois blocos chegaram a um acordo de princípio político. Traduz-se por ser um texto legal. É um tratado internacional firmado entre as partes. Terá agora de ser agora aprovado pelo Conselho Europeu, pelo Parlamento Europeu e por Pequim.

Do lado europeu, o significado do acordo político resulta do apoio de todos os estados membros da união e dos respetivos líderes”, lembrou.

Assinalou ainda que o acordo firmado durante uma reunião virtual teve a participação, além dos presidentes da comissão e do conselho europeus, da chanceler alemã, Angela Merkel, e do Presidente francês, Emanuel Macron, líderes das duas grandes potências do espaço europeu”. Por trás disto, lembrou, está o “eixo franco-alemão, o baluarte da União Europeia”, o que dá uma “força muito grande ao acordo político firmado”, com destaque para Merkle que “mostrou, mais uma vez, ser a grande líder da UE, capaz de olhar e vê-la como um espaço autónomo”, sem esquecer “o papel fundamental do Presidente chinês, Xi Jinping”, que há cerca de dois meses deu um sinal ao outro lado ao dizer que queria um desfecho até ao final de 2020.

A União Europeia e a China chegaram há uma semana a um “acordo de princípio” sobre investimentos, com Pequim a comprometer-se em abrir-se à UE em vários setores-chave, o que vai permitir às empresas europeias competir em condições de igualdade no mercado chinês.

A China é segundo maior parceiro comercial da União, logo a seguir aos Estados Unidos.

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