Negociações pós-Brexit continuam e pesca é principal obstáculo

Negociações pós-Brexit continuam e pesca é principal obstáculo

Os direitos de pesca em águas britânicas continuam bloqueando as negociações para um acordo comercial pós-Brexit entre o Reino Unido e a União Europeia (UE), e seus negociadores decidiram voltar a se reunir no domingo

“As divergências continuam as mesmas”, disse uma fonte europeia quando as negociações foram interrompidas na noite deste sábado.

Os direitos de pesca são o principal obstáculo para encontrar um acordo a tempo que evite uma ruptura brutal e o retorno das tarifas e taxas para ambos os lados do Canal da Mancha.

Outra fonte europeia afirmou que Bruxelas fez sua última proposta a Londres sobre a questão e que estava agora nas mãos do primeiro-ministro britânico Boris Johnson decidir se quer ou não um acordo.

“Se o Reino Unido não aceitar a última oferta da UE, não haverá acordo sobre a pesca”, alertou.

No centro do debate estão os 650 milhões de euros (800 milhões de dólares) em pesca capturados todo ano pelas frotas europeias em águas britânicas, e a duração do período que permitiria aos pescadores europeus se adaptarem às novas condições. 

Bruxelas propôs renunciar cerca de 20% dessa quantia em um período de sete anos. Os britânicos reivindicam 60% em um prazo de adaptação de três anos, segundo fontes europeias. 

“É uma questão de números agora”, disse o diplomata europeu.

O negociador europeu, o francês Michel Barnier consultou com os países que compartilham os ricos pesqueiros britânicos para tentar encontrar uma saída, acrescentou a fonte.

Domingo à noite

O Parlamento Europeu insistiu que quer um acordo até meia-noite (20h00 de Brasília) de domingo, para analisá-lo e validá-lo e para entrar em vigor em 1o de janeiro.

No entanto, o secretário de Estado francês para os Assuntos Europeus, Clément Beaune, não descartou neste sábado que essas negociações se prolonguem para além de domingo.

Não vão “sacrificar tudo” para ser domingo à noite, disse na emissora France Inter. “Setores inteiros estão em jogo, como a pesca, como as condições de concorrência para nossas empresas”, acrescentou.

Um acordo alcançado nos últimos dias de dezembro poderia entrar em vigor provisoriamente, uma opção com a qual parece que os países-membros estão de acordo, mas à qual o Parlamento se opõe.

As outras questões que bloqueiam as negociações –normas de concorrência e o futuro mecanismo de solução de controversas– parece que estão sendo resolvidas.

A UE se nega a ter em suas portas uma economia sem regulamentação que se baseasse na concorrência desleal com suas empresas, sem respeitar as normas ambientais, sociais, fiscais ou seu rígido regime de ajudas públicas.

O tempo corre mais que nunca. Sem um tratado de livre comércio, a partir de 1o de janeiro as relações entre o Reino Unido e a UE serão regidas pelas normas da Organização Mundial do Comércio (OMC), um cenário de consequências econômicas imprevisíveis que envolve tarifas e taxas.

Os dois lados do Canal da Mancha se preparam para o retorno dos controles tarifários.

Mas um relatório do Parlamento britânico alertou que a preparação é insuficiente no Reino Unido, e pode haver transtornos nos portos e em nível de segurança.

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