ONU reconhece potencial terapêutico e retira canábis da lista de drogas mais perigosas - Plataforma Media

ONU reconhece potencial terapêutico e retira canábis da lista de drogas mais perigosas

A Comissão das Nações Unidas sobre Estupefacientes (CND) aceitou esta, quarta-feira, a recomendação 5.1 da Organização Mundial da Saúde (OMS) para remover a canábis e a resina de canábis do Anexo IV da Convenção Única de 1961 sobre Drogas e Narcóticos. Brasil votou contra.

Esta decisão reclassifica a canábis e a resina derivada da mesma num patamar que inclui substâncias consideradas menos perigosas, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS).

A votação foi a primeira da sessão e aquela onde a diferença entre votos a favor e contra foi menor. A apertada votação contou com 27 votos a favor, uma abstenção e 25 votos contra de todos os 53 participantes.

A recomendação era amplamente aguardada pela indústria e é considerada uma vitória, por reconhecer o valor medicinal da canábis e a resina de canábis na leitura das convenções e por permitir a realização de investigação científica.

Na prática, a decisão não retira nem a necessidade de cada país estabelecer controlo e limites à proliferação da droga, nem o poder de mudar as políticas adotadas por cada nação relativamente ao uso da canábis e seus derivados.

No entanto, é um grande marco, dado que deixa de ocupar uma lista de substâncias “particularmente suscetíveis a abusos e à produção de efeitos danosos” e “sem capacidade de produzir vantagens terapêuticas”.

A canábis estava posicionada ao lado de substâncias como a heroína. Agora, fica posicionada ao lado da morfina, que a ONU recomenda igualmente o controlo do uso e abuso, mas admite ter potencial menos perigoso ou danoso.

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