Enfrentar a epidemia exige o reforço do SNS - Plataforma Media

Enfrentar a epidemia exige o reforço do SNS

É amplamente reconhecido a importância do Serviço Nacional de Saúde (SNS) na primeira fase da epidemia da covid 19. Apesar das debilidades que decorrem do desinvestimento no SNS, da responsabilidade de governos do PS, PSD e CDS, a existência de um serviço público de saúde, como o SNS, universal e geral foi essencial para garantir o acesso de todos os doentes aos cuidados de saúde.

Se o Estado estivesse refém dos interesses privados, certamente a resposta teria sido bem diferente e muitos doentes teriam sido deixados à sua sorte. Na fase inicial da epidemia os grupos privados reduziram atividade e fecharam portas, agora não querem prestar cuidados às pessoas com covid 19. Para quem ainda tenha dúvidas, esta atitude revela bem as verdadeiras motivações dos grupos privados – a procura da maximização do lucro, à custa da saúde dos utentes.

Quem hoje defende acerrimamente a transferência da prestação de cuidados
de saúde para os grupos privados não está a defender os interesses dos utentes
e dos doentes, mas sim os interesses privados do lucro

Para os grupos privados o que verdadeiramente importa não é a prestação de cuidados de saúde, mas o negócio da doença.

E quem hoje defende acerrimamente a transferência da prestação de cuidados de saúde para os grupos privados não está a defender os interesses dos utentes e dos doentes, mas sim os interesses privados do lucro.

Estão a dinamizar uma gigantesca campanha que visa descredibilizar o SNS introduzir insegurança e desconfiança dos utentes em relação ao SNS, a partir da instrumentalização de problemas concretos que são reais.

A situação exige o investimento na capacidade de reforço do Serviço Nacional de Saúde, porque é o que garante o acesso de todos os utentes aos cuidados de saúde, porque é quem assegura que não há discriminação entre os utentes em função das condições económicas e porque é o que defende os interesses dos utentes.

Por isso, a solução é mobilizar os recursos públicos para contratar os profissionais de saúde que são necessários nos centros de saúde e nos hospitais para assegurar a prestação de cuidados aos doentes covid, aos doentes não covid e recuperar os cuidados em atraso; reforçar as equipas de saúde pública para detetar os surtos e quebrar as cadeias de transmissão; valorizar as carreiras e reforçar os direitos dos profissionais de saúde; criar as condições para que os profissionais de saúde optem pelo desenvolvimento da sua atividade profissional no SNS; retomar a atividade nos cuidados de saúde primários; aumentar o número de camas de cuidados intensivos e de camas de agudos nos hospitais; aumentar a capacidade para a realização de meios complementares de diagnóstico e terapêutica e reforçar a saúde mental no SNS.

Face à epidemia o que se impõe é reforçar o SNS, assegurar a proteção individual, fazer a pedagogia da proteção; dinamizar as atividades económicas, sociais, culturais, desportivas; exercer os direitos políticos e sociais e combater o medo e os seus propagandistas.

Esta deve ser a prioridade do Governo!

*Deputada do Partido Comunista Português (PCP) – Portugal

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