Que é feito de Amanda Knox, a estudante acusada e absolvida de homícidio em Itália - Plataforma Media

Que é feito de Amanda Knox, a estudante acusada e absolvida de homícidio em Itália

A história de Amanda Knox chocou o mundo quando a norte-americana foi acusada de matar a sua colega de quarto

Amanda Knox colocou todas as atenções do mundo na pequena cidade de Perugia, em Itália, no final de 2007. A localidade tornou-se o centro de um drama mediático em que Knox foi acusada de ter assassinado brutalmente uma estudante estrangeira, colega de quarto, num caso marcado por jogos sexuais, manipulação, mentiras e detalhes inconsistentes.

Tudo começou quando o corpo de Meredith Kercher, uma estudante de 21 anos de Inglaterra, foi encontrado sem vida. Havia sinais de ter sido abusada sexualmente e esfaqueada até a morte. Rapidamente, Amanda Knox, sua companheira de quarto, e Raffaele Sollecito, namorado de Knox, tornaram-se os principais suspeitos do crime.

Apesar das evidências não serem claras, as autoridades decidiram concentrar em Amanda Knox – cuja história já foi alvo de um documentário da Netfilx -, usando seu nome do MySpace, Foxy Noxy, como um ponto-chave para torná-la uma femme fatale promíscua e manipuladora, que usou o sexo como arma para convencer o namorado a apoiá-la no crime.

Meredith Kercher

Como é que tudo começou?
Amanda Knox mudou-se para uma casa pitoresca de Perugia em setembro de 2007, onde tornou-se parceira de Kercher e de outras duas mulheres italianas. Viviam num bairro considerado inseguro, mas Knox e as companheiras adaptaram-se rapidamente.

Em outubro, Amanda, que trabalhava num bar local – Le Chic -, conheceu Sollecito, um estudante de 23 anos. Rapidamente iniciaram um relacionamento. Apenas algumas semanas depois, Amanda voltou para casa e encontrou a porta do quarto de Kercher trancada, o que a levou a chamar a polícia e descobrir a amiga seminua, coberta por um lençol e com feridas no pescoço.

A polícia decidiu levar Amanda para interrogatório na esquadra e, após algumas horas, Knox assinou uma confissão a dizer que estava noutro espaço da casa, enquanto o seu chefe no bar, o congolês Diya Patrick Lumumba, abusava e matava Kercher.

Mas as coisas não pararam por aqui. Depois da primeira confissão, Knox e Sollecito começaram a mudar as suas histórias e a dar diferentes testemunhos de onde se encontravam na hora do homícidio, além de terem uma atitude estranha após a descoberta de Kercher e até de irem às compras nos dias seguintes, levando a polícia a apontá-los como suspeitos.

Amanda Knox e Raffaele Sollecito

A 15 de novembro, foi encontrada uma faca com sangue de Kercher que tinha o DNA de Amanda no cabo, mas Sollecito disse que a cortou acidentalmente há algum tempo, quando os três estavam a cozinhar juntos. Poucos dias depois, Rudy Guede é preso num comboio na Alemanha depois das suas impressões digitais terem sido encontradas na cena do crime e no corpo da vítima. Contudo, o homem garantiu que teve relações sexuais consentidas com Kercher naquela noite e estava na casa de banho quando terá sido morta por um homem misterioso que invadiu a casa.

Sete semanas após a descoberta do corpo de Kercher, o DNA de Sollecito foi descoberto nas cuecas da britânica e o promotor começou a desenvolver a teoria de que a morte de Meredith poderia ter sido o resultado de um perigoso jogo sexual que deu errado, com um juiz descobrir que havia provas suficientes para que Knox e Sollecito fossem julgados por homícidio.

Knox e Sollecito acabaram detidos e, após 14 meses na prisão, o julgamento finalmente começou em janeiro de 2009. Knox apresentou-se para testemunhar em junho de 2009, explicando que tinha passado a noite na casa do seu namorado, que se dava muito bem com Kercher, tendo assinado a primeira confissão porque a polícia a pressionou.

Enquanto isso, Rudy Guede disse no seu próprio julgamento que Kercher e Knox discutiram, mas insistiu que foi um homem desconhecido que matou Meredith. Ainda assim, as revelações do afro-italiano não ajudaram o casal porque Knox e Sollecito foram condenados a 26 e 25 anos de prisão, respectivamente, pelo homicídio de Kercher, além de terem sido condenados a pagar sete milhões de dólares à família da vítima.

Amanda Knox à saída do tribunal, em Perugia

Um processo para limpar o nome
Em junho de 2011, Knox decidiu apelar e iniciar um novo julgamento no qual uma testemunha alegou que Guede disse a que Knox e Sollecito eram inocentes, e que dois peritos judiciais revelaram que nem a faca nem a roupa íntima que as autoridades costumavam usar para acusar o casal podiam, na verdade, não ter os tais vestígios de sangue ou DNA dos envolvidos.

Em outubro de 2011, as condenações foram anuladas. Knox voltou aos Estados Unidos e o Tribunal de Cassação italiano ordenou um novo julgamento em março de 2013, alegando que “deficiências, contradições e conclusões ilógicas” foram apresentadas no tribunal que julgou o recurso.

Em janeiro de 2014, Knox e Sollecito voltaram a ser acusados ​​de homicídio, mas as condenações foram novamente anuladas em março de 2015, concluindo o supremo tribunal que Knox apenas teria que pagar uma multa no valor de 22 mil euros por difamação por ter acusado seu chefe de bar de matar Meredith.

Depois de encerrado caso, Knox pôde seguir a sua vida. Os seus problemas judiciais ficaram resolvidos e, em 2019, o Tribunal Europeu dos Direitos Humanos, em Estrasburgo, ordenou que a Itália pagasse à norte-americana uma multa de 20 mil dólares por danos causados durante a investigação do caso.

Atualmente, Amanda Knox vive na sua cidade natal Seattle, nos EUA. Presença assídua nas redes sociais, assume-se como escritora, jornalista e ativista. Casou, em 2018, com o poeta Christopher Robinson. Amanda conheceu Robinson no lançamento do livro deste último, tendo criticado a obra para um jornal local.

Além disso, Knox é a apresentadora de um podcast para a Sundance chamado ‘The Truth About True Crimes’, onde ela “desconstrói as histórias por detrás da acusação de vítimas, privilégio e sensacionalismo da mídia”.

Em 2019, Amanda Knox voltou a Itália pela primeira vez desde que saiu da prisão em 2011. “Estou de volta a Itália como uma mulher livre”, escreveu, na altura, na sua conta no Instagram. O convite surgiu através de uma ONG italiana para participar num debate subordinado ao tema “Erros na Justiça e julgamentos nos media”. A família de Meredith Kercher criticou ferozmente o regresso da norte-americana a Perugia e ao país.

Amanda Knox em sua casa com a família, em Seattle, nos EUA

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