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Uso de drones na agricultura

Na costa Este da China, na província de Zhejiang, vê cada vez se menos agricultores com garrafas de pesticidas. Em vez disso são agora os drones (pequeno aparelho voador telecomandado) que protegem os campos. 

Xu Yue, agricultor de 29 anos, criou há três anos uma empresa de tecnologias de proteção de cultivos na terra natal, em Jinhua, no centro de Zhejiang, oferecendo um serviço de proteção dos campos das terras vizinhas com o recurso a drones. 

“O serviço de proteção com drones representa metade do nosso negócio. Trabalhamos com pesticidas, fertilizantes e esterilização”, esclareceu Xu Yue. 

O jovem agricultor tem ainda o próprio terreno, de quatro hectares, que utiliza como base de treino para agricultores de outras regiões. 

“Vários agricultores estão agora a comprar os próprios drones, mas estas máquinas são cada vez mais inteligentes e por isso precisam também de treino”, admitiu Xu Yue.

Nascido 1990, Shang Nianjun, outro jovem agricultor indicou que quer adquirir uma dezena de drones para executarem tarefas ao longo dos 133 hectares de terrenos onde produz arroz, trigo e colza. 

O ano passado agricultor utilizou pela primeira vez esta tecnologia e ficou satisfeito com os resultados, esclareceu. 

“É possível semear um terreno de 53 hectares em apenas dois ou três dias, em comparação com os 20 dias necessários com trabalho manual”, disse.

Outros agricultores nascidos no final do século passado, estão também a juntar-se “ao exército” de drones, aproveitando ao máximo esta ajuda inovadora e voadora.

Na cidade de Anyang, Henan, a mais de 1.000 quilómetros de distância de Zhejiang, uma pequena vila organizou uma equipa de proteção de cultivos com drones, oferecendo aos agricultores locais a possibilidade de tirar partido desta tecnologia. 

Só em 2018, a receita anual dos agricultores com o recurso a drones permitiu ultrapassar os 200 mil renminbi (RMB).

Peritos do setor têm considerado que a tecnologia e inteligência artificial vieram alterar o método tradicional de praticar agricultura, sendo esta agora muito mais eficiente. 

Shang Nianjun afirmou também que em comparação com o uso tradicional de fertilizantes, o uso de drones é muito mais preciso e uniforme, uma vez que apenas nove gramas são suficientes para aplicar 600 metros quadrados. Do ponto de vista de custos de mão-de-obra, o custo anual dos métodos tradicionais é três vezes superior quando comparado com o recurso à inteligência artificial. 

“A proteção de cultivos com drones é altamente eficiente, e o uso de pesticidas é também muito mais seguro”, afirmou Xu Yue. Estas máquinas, acrescentou, são cada vez mais inteligentes e o custo já não é demasiado alto para os agricultores. 

Vários institutos e universidades têm também criado áreas de estudo focadas no uso desta tecnologia na agricultura. A Escola Profissional Técnica de Jiaxing, por exemplo, foi a quinta na província a oferecer este curso. 

“O uso de drones é muito alargado e por isso havia já várias cooperativas agrícolas que queriam que fossem criados serviços deste género na área”, afirmou Ge Xiulong, diretor do Instituto de Aeronáutica e Órbita, acrescentado que este ano conta já com 70 alunos. Num período de três anos os alunos vão aprender como aperar drones e o uso de pesticidas. 

A indústria de drones na China está cada vez mais avançada. A Zhitian Technology, por exemplo, é uma empresa de desenvolvimento e produção de drones para proteção de cultivo. Lu Dongming, responsável da empresa, disse que vendem entre 500 a 600 drones por ano, com um valor total superior a 20 milhões de RMB. 

“Neste momento um drone consegue cobrir uma área de entre 33 a 53 hectares, enquanto um agricultor consegue cobrir apenas 1,3 hectares”, esclareceu Lu Dongming.

Peritos da área acreditam que a agricultura está a evoluir para depender cada vez mais de inteligência artificial, tecnologia de informação e mecanização. A longo prazo, o uso de drones poderá passar a ser uma necessidade na produção agrícola e caminhar para um grande mercado. 

“Os nossos drones estão equipados com o Sistema de Navegação por Satélite BeiDou e GPS. Neste momento existem cerca de 20 mil unidades em toda a China para a proteção de cultivos, mas prevemos que ao longo dos próximos 10 anos os números subam acima das 100 mil unidades”, afirmou Lu Dongming.  

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