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Universidade Afro-Brasileira abre novos cursos dedicados à língua portuguesa

Num momento em que as instituições de ensino foram fortemente afetadas pela pandemia mundial de covid-19, a direção da Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (Unilab) não baixou os braços e, além de ter conseguido contornar o distanciamento social, decidiu ampliar a oferta de cursos dedicados à língua portuguesa.

Da necessidade de fomentar o português em tempos de pandemia, a Unilab criou este mês o Núcleo de Línguas (Nucli), órgão complementar vinculado ao Instituto de Linguagens e Lite- raturas daquela universidade. O reitor da Unilab, Roque Albuquerque, frisou a importância da estratégia para fortalecer o caráter internacional da universidade.

“O núcleo vai trabalhar o português como ‘língua instrumental’, (…) estendendo o braço à comunidade transatlântica. Mesmo países que haviam parado de enviar estudantes para a Unilab sinalizaram interesse (em voltar) “, afirmou o reitor, referindo- se diretamente a Timor-Leste, que mostrou interesse em retomar acordos de cooperação, outrora paralisados.

Em declarações à agência Lusa, a diretora do Nucli, Ana Cristina Cunha, explicou que o núcleo será dividido em quatro setores: Línguas Clássicas, Línguas Modernas, Lingua- gem gestual e Português como Língua Adicional.

“Temos a oferta de um curso totalmente online de português como língua adicional, para outras pessoas que são de fora da matriz lusófona. Apesar de estes cursos serem recentes, acreditamos que a maior procura será por parte de alunos da América Latina, que tentam aprender português, assim como alunos da China e de Timor-Leste”, in- formou Ana Cristina Cunha. “Além dos cursos de português como língua adicional, também vamos ministrar outros programas para os falantes de língua portuguesa, mais direcionados para a área académica, como compreensão de textos, produção textual. Temos o intuito de até ao final do ano oferecer mais cursos na área da língua portuguesa. Em andamento temos ainda cursos de francês, espanhol, de crioulo e de cursos de com- preensão de leitura”, acrescentou.

Como os cursos serão ofereci- dos de forma virtual, pessoas de todo o mundo vão poder matricular-se, disse. As atividades académicas da Unilab concentram-se nos estados do Ceará e da Bahia, no nordeste brasileiro.

DESAFIOS DO ACORDO

Para a docente, a língua portuguesa tem ganho “bastante força” nos últimos anos e tem sido alvo de interesse por parte da comunidade académica internacional.

“Acho que a língua portuguesa só tem ganhado bastante força nos últimos anos, devido ao aumento do número de pactos de cooperação internacional, intercâmbios académicos e culturais, em várias universidades, quer particulares, quer públicas, como é o caso da Unilab. Creio que a língua portuguesa, nos últimos 10 anos, tem ganho muita força, é o que sinto aqui na Unilab”, assegurou à Lusa.

Ana Cristina Cunha afirmou ainda que, desde a celebração do acordo ortográfico, a Unilab “nunca se quis desatrelar” da maioria dos países de língua portuguesa, tendo adotado esse tratado na forma de ensino do português, por- que acredita ser “importante a manutenção de uma unidade”

A Unilab admite que passou por dificuldades orçamentais no início da pandemia.

A compra de cartões de tele- móvel com acesso à internet, para que os alunos pudessem participar em aulas e formações, foi das poucas propostas para a qual conseguiu aprovação de verbas.

“A partir de março tivemos a suspensão do calendário académico. Começámos a organizar-nos, a desenvolve- mos essas atividades online, que começaram a ser disponibilizadas a partir de julho”, contou a diretora do Nucli. “Conseguimos aprovação de um orçamento para compra de cartões de telemóvel com acesso à internet. Não foi possível mais, devido à escassez de recursos”, lamentou. Além de cursos para alunos, as formações da Unilab estão também direcionadas para a comunidade docente, que pas- sará a ter uma oferta de cursos de línguas estrangeiras. “Esta é a nossa forma de trabalhar, temos de oferecer cursos para a comunidade que nos sustenta. Temos o dever de apresentar cursos que venham a contribuir na formação humana, e de quadros, e as línguas estrangeiras são extremamente importantes a vários níveis. Temos de investir tanto em tecnologias de dispositivos, quanto em tecnologia de componente humana e social”, sustentou Ana Cristina.

A linguagem é “uma ferra- menta que podemos usar para vários fins, uma ferramenta de melhoria de vida. Melhorar a linguagem, quer na língua materna, quer numa estrangeira, é uma obrigação de quem trabalha em qualquer área”, concluiu a docente, especializada em linguística.

Fundada em 2010, a Unilab tem como missão institucional formar estudantes para que estes contribuam para uma integração entre o Brasil e os demais países membros da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), especialmente os países africanos. No final de 2019, a universidade tinha mais de 1.300 estudantes internacionais matriculados, dos mais de cinco mil alunos presenciais que frequentavam a instituição. A CPLP integra Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Guiné Equatorial, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste.

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