O pouco admirável mundo dos ‘Mukbangs’ - Plataforma Media

O pouco admirável mundo dos ‘Mukbangs’

Bethany Gaskin, também conhecida como Blove, é uma youtuber norte-americana. Ela senta-se em frente ao ecrã com um grande sorriso no rosto, conversa casualmente com o seu público enquanto se delicia com uma fervura fresca de frutos do mar. Pode ouvir-se o som rachado das pernas duras do caranguejo enquanto Blove extrai a deliciosa e suculenta carne do animal. A sua leal base de fãs de mais de um milhão de espectadores adora vê-la comer, mas também apreciam os seus comentários engraçados.

Nos últimos anos, gente obcecada por comida, virou-se para um novo género de vídeo que faz sucesso no YouTube. Lançou personalidades como a Blove, Veronica Wang, Peggie Neo e N.E. Let’s eat com centenas de milhares, até milhões de seguidores. Isto é o mukbang. 

A palavra mukbang vem das palavras coreanas comer (먹는; meokneun) e emitir (방송; bangsong), pode ser traduzido como a “transmissão de comer”. 

O Mukbang é uma emissão audiovisual online na qual o apresentador consome grandes quantidades de comida enquanto interage com o público. Tornou-se popular na Coreia do Sul em 2010, e desde então virou tendência mundial. Variedades de alimentos, como pizza, mariscos, macarrão, fritos e carnes são consumidos em frente da câmara.

O Mukbang é, geralmente, gravado ou transmitido ao vivo em plataformas de streaming como o YouTube, Twitch e AfreecaTV. Os protagonistas ou apresentadores dos mukbangs são conhecidos como Broadcast Jockeys (BJ), e convém que sejam muito interativos e extrovertidos. Os mais populares tem enriquecido através dos seus canais. 

Milhares assistem o Banzz, Jeong Man-su, a comer mais de 10 pratos no seu canal no YouTube. Com apenas 30 anos, está entre os BJs mais famosos da Coreia do Sul. No Twitch tem 22 mil seguidores e cerca de dois milhões de inscritos no seu canal no YouTube. Além de ser famoso, ganha dinheiro, de acordo com a Trend Celebs Now, o valor líquido estimado dos seus rendimentos em 2020 é, até ao momento, de aproximadamente entre um a cinco milhões de dólares norte-americanos. 

Os mukbangers tem comido aproximadamente 4000 a 10000 calorias durante um programa. Tem surgido inúmeras críticas da parte da sociedade e de profissionais de saúde que dizem que estes estão a deteriorar a sua própia saúde e, ao mesmo tempo, estão a induzir o público a desenvolver hábitos alimentares pouco saudáveis. 

Numa entrevista ao Insider, o nutricionista Andy Bellatti afirmou que os youtubers que filmam vídeos regulares de mukbang provavelmente verão algum impacto na sua saúde a longo prazo. “A nossa saúde é determinada por coisas que fazemos consistentemente ao longo do tempo. Nesse sentido, um mukbang semanal ao longo de um ano certamente teria algum tipo de efeito”, afirmou Bellatti, notando que a gravidade dos resultados para a saúde dependeria das dietas dos indivíduos fora do espaço mukbang.

Possíveis impactos a longo prazo na saúde podem incluir, entre outros, o aumento da pressão arterial, o aumento dos triglicéridos e ainda o aumento do açúcar no sangue, podendo degenerar em diabetes.

China reprova

Recentemente, o Presidente da China, Xi Jinping lançou uma campanha para aumentar a segurança alimentar e reduzir o desperdício de comida no país. 

O governo da China já condenou publicamente os influenciadores que gravam vídeos a comer muita comida e publicam na Internet. A rede de notícias estatal CCTV transmitiu diversas reportagens a criticar os mukbangers e o governo pretende em breve banir esse tipo de vídeos na China. As empresas que guiam as redes sociais chinesas também ja estão a tomar medidas contra os mukbangers. Quem pesquisar os termos “comida ao vivo” ou “show de comida” receberá uma aviso. 

O futuro dos Mukbangers na China está, deste modo, incerto, mas nutros lugares como a Coreia do Sul ou os Estados Unidos da América, os vídeos e os mukbangers ganham cada vez mais fama e audiência.

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