Pandemia atrasa casino do Macau Legend - Plataforma Media

Pandemia atrasa casino do Macau Legend

O Governo cabo-verdiano admite que a pandemia de covid-19 deverá atrasar a conclusão do hotel-casino que o grupo Macau Legend está a construir na Praia, mas acredita que o investimento, de 250 milhões de euros, não está em causa.

Em entrevista à agência Lusa, o ministro do Turismo, Carlos Santos, garantiu que tal como o empreendimento que o grupo do empresário David Chow está a implantar entre o ilhéu de Santa Maria e o litoral da Praia, os grandes investimentos no setor turístico em Cabo Verde não foram colocados em causa pelos promotores, até ao momento, apesar das consequências da covid-19.

“Creio que não.  E nem temos tido sinais nesse sentido [pandemia colocar em causa investimento do grupo Macau Legend]. Aliás, digo que a esmagadora maioria dos investidores que estão a fazer investimentos em Cabo Verde, antes da pandemia, imediatamente com a realização dos voos de repatriamento solicitaram ao Governo cabo-verdiano autorização para fazerem chegar os seus técnicos a Cabo Verde para dar continuidade aos projetos”, afirmou Carlos Santos.

O grupo Macau Legend anunciou em março último que prevê inaugurar no final de 2021 o hotel-casino na cidade da Praia, em Cabo Verde, depois de em 2019 ter previsto a conclusão da obra para final deste ano.

“Em Cabo Verde, a construção do novo complexo de hotel e casino está em andamento e esperamos uma abertura gradual deste negócio no final de 2021”, apontou o grupo, em comunicado. 

Na mesma nota, o grupo explicou que o “plano de construção do complexo hoteleiro e casino está atualmente a ser analisado”. 

Ainda assim, “todo o trabalho arquitetónico externo do prédio de escritórios, bem como a construção de uma ponte e estrada de acesso que conecta Santa Maria [no extremo sul da Ilha do Sal] foi concluída”, acrescentou o grupo, que na mesma altura anunciou perdas de 190,2 milhões de dólares de Hong Kong (22,3 milhões de euros) em 2019, quando no ano anterior registou lucros 223 milhões de euros.

“Não tem havido manifestação de vontade de desistir. É muito bom, significa que os empresários e os investidores estão a acreditar no país, no destino Cabo Verde e na capacidade de continuar a crescer, nas oportunidades de negócio que temos”, insiste Carlos Santos, apesar de as obras decorrerem há vários meses com poucos trabalhadores no local e sem avanços visíveis, além da construção da ponte que liga a Praia (ilha de Santiago) ao ilhéu de Santa Maria.

“As informações são as normais. Nós temos tido informações que eles continuam com as obras, obviamente que neste momento, com a pandemia, houve um desacelerar [na obra], mas não temos tido informações contrárias, de que há desistência, e entendemos que aquela obra é para continuar, porque é um investimento de grande porte. E vai continuar de certeza”, garantiu o ministro do Turismo cabo-verdiano.

Ainda assim, um novo atraso na conclusão da empreitada, que Carlos Santos garante ser um “projeto estruturante para o turismo em Cabo Verde”, está em cima da mesa: “Provavelmente terá que haver aí algum atraso, precisamente por causa das paragens que existiram. Mas estamos esperançados que no que diz respeito aos grandes investimentos as coisas continuarão”.

Investimento milionário liderado por David Chow

Em 2015, David Chow assinou com o Governo cabo-verdiano um acordo para a construção do empreendimento, tendo sido lançada a primeira pedra do projeto em fevereiro de 2016. Trata-se do maior empreendimento turístico de Cabo Verde, com um investimento global previsto de 250 milhões de euros – cerca de 15% do Produto Interno Bruto (PIB) cabo-verdiano – para a construção de uma estância turística no ilhéu de Santa Maria, que cobrirá uma área de 152.700 metros quadrados, inaugurando a indústria de jogo no arquipélago.

A obra envolve a construção de um hotel com ‘boutique casino’, de 250 quartos, uma grande piscina e várias instalações para restaurantes, bares e estabelecimentos comerciais, além de uma marina. Contudo, uma minuta de adenda ao acordo entre a empresa e o Governo cabo-verdiano, de abril de 2019, refere que, “considerando que, face à evolução da envolvente nacional do empreendimento nos últimos dois anos, o promotor sugeriu, e o Governo entendeu aceitar, uma proposta de realização do projeto de investimento por fases”. Assim, nesta primeira fase do projeto, que deveria então estar concluída dentro de 22 meses, serão investidos 90 milhões de euros.  

Em fevereiro de 2018, David Chow anunciou ter submetido ao banco central cabo-verdiano (BCV) o pedido de autorização para a criação de um banco em Cabo Verde, cuja decisão ainda não é conhecida. A imprensa local chegou a noticiar em 2019 que o arrefecimento deste projeto estará relacionado com a falta de licenciamento do banco em Cabo Verde.

O grupo, a operar vários casinos em Macau sob a bandeira da Sociedade de Jogos de Macau (SJM), anunciou este ano que o empresário David Chow deixou o cargo de CEO com efeito imediato, mas mantém-se como diretor executivo e copresidente do conselho de administração.

Licença de jogo por 25 anos

David Chow recebeu uma licença de 25 anos do Governo de Cabo Verde, 15 dos quais em regime de exclusividade na ilha de Santiago. Esta concessão de jogo custou à CV Entertaiment Co., subsidiária da Macau Legend, o equivalente a cerca de 1,2 milhões de euros. A promotora recebeu também uma licença especial para explorar, em exclusividade, jogo ‘online’ em todo o país e o mercado de apostas desportivas durante dez anos.

O ministro Carlos Santos garante que na estratégia até 2030, o Governo definiu a necessidade de um “desenvolvimento sustentável do turismo” em Cabo Verde, mantendo “produtos âncora” do país, como o sol e a praia, mas reforçando a aposta nos cruzeiros e no turismo de natureza, mas também no jogo.

“Os jogos é um setor que queremos continuar a apostar, respeitando todas a regras e boas práticas internacionais, porque atrai um tipo de cliente que tem um poder de compra muito razoável”, assumiu o governante.

Os números da crise

O ministro do Turismo cabo-verdiano alertou que o setor turístico, que representa 25% do Produto Interno Bruto do país, só retomará em 2023 os níveis anteriores à pandemia de covid-19, cenário que o Governo vê “com preocupação”.  “Obviamente que nós teremos uma quebra substancial ao nível dos turistas que vão entrar em Cabo Verde neste ano e no próximo ano. E os números dizem-nos que só em 2023 é que poderemos almejar voltar aos números de 2019”, afirmou Carlos Santos.

Em 2019, Cabo Verde registou um recorde de 819 mil turistas e a meta do Governo era chegar ao milhão de turistas anuais a partir de 2021, cenário drasticamente alterado com a pandemia de covid-19, com o arquipélago fechado a voos internacionais desde 19 de março e pelo menos até agosto.

A procura turística em Cabo Verde deverá recuar este ano a níveis de 2009, devido à pandemia de covid-19, com a perda de 536 mil turistas face à previsão inicial do Governo. 

A previsão consta de um documento de suporte à proposta do Orçamento Retificativo para 2020, aprovado em 30 de julho na Assembleia Nacional, apontando para uma quebra de 58,8% na procura turística, face aos 819 mil turistas que o arquipélago recebeu em 2019.

No Orçamento do Estado para 2020, aprovado em dezembro, o Governo estimava um crescimento da procura turística de 6,6%, aproximando-se da meta anual de um milhão de turistas, depois de um crescimento de 7% em 2019. 

Contudo, na previsão do Governo que consta do documento de suporte orçamental, Cabo Verde deverá receber este ano apenas 337.555 turistas. Deste total, 170.778 são turistas que já visitaram o país no primeiro trimestre de 2020, pelo que até final do ano o país deverá receber pouco mais de 165.000 turistas.

Esta revisão em forte baixa das previsões para 2020 reflete-se desde logo numa quebra de 66,1% nas receitas com o setor. 

As receitas com o turismo renderam em 2019 um máximo histórico de 43.103 milhões de escudos (389 milhões de euros), mas segundo a previsão do Governo deverão cair este ano para 15.086 milhões de escudos (136 milhões de euros). 

Este artigo está disponível em: 繁體中文

Related posts
EconomiaMacau

Pandemia continua a pressionar resultados do jogo em Macau

Cabo VerdeEconomia

Macau Legend anuncia perdas de 213 milhões de euros em 2020

ChinaEconomia

Macau prossegue com abertura de concurso para novas concessões de jogo apesar da pandemia

Macau

David Chow vende 20% da Macau Legend a líder da Tak Chun

Assine nossa Newsletter