"Não deixaremos passar em branco o que se passa no Novo Banco" - Plataforma Media

“Não deixaremos passar em branco o que se passa no Novo Banco”

BPN, BES ou Novo Banco! Os nomes mudam, os responsáveis mudam, mas o resultado, esse nunca se altera, para mal do povo português.

O país enfrenta, há meses, uma dura crise económica e social desencadeada pela pandemia do novo coronavírus. O Serviço Nacional de Saúde foi o primeiro a ressentir-se da falta de recursos humanos e de meios materiais para salvar todos os que aos hospitais acorreram – graças às cativações do apelidado ‘Cristiano Ronaldo’ das Finanças.

Em plena crise ficámos a saber que existiu uma vergonhosa injeção de 850 milhões de euros no Novo Banco. Sim, 850 milhões de euros. Não há dinheiro para o Serviço Nacional de Saúde, mas há 850 milhões de euros para tapar buracos que gestores – ou menos competentes ou menos sérios – escavam no Novo Banco.

Achávamos nós que pior não iria acontecer, mas há poucos dias ficámos a saber que o Novo Banco vendeu 13 mil imóveis a um fundo anónimo, ao qual também emprestou dinheiro e que neste que tem sido apelidado de o “maior negócio imobiliário em Portugal nos últimos anos”, foi o Fundo de Resolução que cobriu as perdas de centenas de milhões de euros.

Que país é este em que trapaceiros usam todos os recursos à sua disposição para auto-benefício, recorrendo, para isso, a crimes?

O caso BES/Novo Banco parece ser uma cartola sem fundo da qual só saem coelhos de má sorte e os responsáveis políticos continuam a assobiar para o lado como se não tivessem o dever de colocar um ponto final nestas histórias mal contadas e chamar à responsabilidade quem de direito.

Em causa está o dinheiro de todos os portugueses, as suas poupanças, por vezes de uma vida.

Há semanas, quando foi deduzida a acusação do Ministério Público contra 25 arguidos acusados do mais variado leque de crimes, tornou-se público que a ES Entreprise, que funcionava como saco azul do Grupo Espírito Santo, financiou a campanha eleitoral do professor Cavaco Silva, em 2011, tendo procedido também ao pagamento de serviços prestados por Miguel Frasquilho – à data deputado do PSD e atualmente presidente da TAP.

Que país é este? Que país é este em que trapaceiros usam todos os recursos à sua disposição para auto-benefício, recorrendo, para isso, a crimes? Mais grave: que país é este em que estes homens e mulheres não são julgados e condenados por esses crimes? Há até quem morra antes de cumprir a sua pena, vivendo até esse momento no conforto do seu lar, como se não fosse um criminoso.

Este é apenas um dos motivos pelos quais o CHEGA defende uma reforma judicial para tornar a justiça mais célere e, acima de tudo, mais justa, como um Estado de Direito precisa.

Mas enquanto tal não é possível, não deixaremos passar em branco o que se passa no Novo Banco.

Quando se tornou conhecido o escândalo do financiamento à campanha eleitoral do professor Cavaco Silva entregámos de imediato uma proposta de constituição de uma comissão parlamentar de inquérito com o objetivo de averiguar, não apenas a campanha presidencial do anterior Presidente da República, mas também todas as outras campanhas eleitorais onde, eventualmente, surjam ligações ao BES e ao Grupo Espírito Santo.

No entanto, assim que soubemos desta infame venda de imóveis decidimos retirar o projeto já apresentado e substituí-lo por um que possa também investigar a venda de imóveis por parte do Novo Banco.

Esta bandalheira com o dinheiro dos portugueses tem de acabar. Uma família não pode passar mais de metade do ano a trabalhar para pagar impostos ao mesmo tempo que estas pessoas, afortunadas pelos privilégios que as suas posições malogradamente lhe conferem, contornam a lei para obterem os desejados benefícios.

Não deixaremos que estes escândalos continuem a repetir-se e a manchar o bom nome de Portugal, mas sabemos que é um caminho difícil, como, aliás, ficou demonstrado quando propusemos que todas as injeções de capital no Novo Banco tivessem que passar no crivo da Assembleia da República.

O caminho é sinuoso, mas não deixaremos, jamais, de o percorrer. Pelos portugueses e pelo nosso país.

*Deputado e presidente do partido CHEGA – Portugal

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