Ricos refúgios - Plataforma Media

Ricos refúgios

“Sentada num restaurante do seleto clube privado Faqra, a 1600 metros de altitude sobre o Mediterrâneo, Zeina al-Khalil aproveita o isolamento proporcionado pelo espaço. “A atmosfera em Beirute é deprimente, estamos com a cabeça afundada na realidade. Aqui sentimo-nos noutro país”. Arranca, assim, a reportagem da France Press – agência francesa de notícias – para dar conta ao mundo que nem todos no Líbano passam fome, não têm casa para viver.

Em todos os regimes, em todos os países, em todas as comunidades há ricos e pobres. As chamadas elites. Elites forjadas a dinheiro que não abdicam das férias, dos resorts que lhe permitem o isolamento do mundo. Ali são todos iguais. Todos têm carros de alta cilindrada, roupas de griffe, alimentos sem restrições e, na grande maioria, importados dos locais mais exóticos.

Estas “ilhas” são os refúgios perfeitos. Ali todos são iguais. Ninguém os olha, a não ser para confirmar que usam o último modelo de óculos ou falam pelo modelo mais recente de telemóvel.

A France Press fala-nos do Líbano. Eu posso-vos falar de Portugal, do Brasil, de Angola… países que conheço e em que encontrei estes refúgios para milionários. Longe dos olhares de quem não foi ou bafejado pela sorte da herança ou não teve o golpe de asa para enriquecer.

O que mais perturba não são os refúgios. Muito menos os ricos. O que perturba é a fraca, mesmo inexpressiva, distribuição de riqueza capaz de contribuir para o desenvolvimento da educação, da saúde, das forças produtivas de cada país. Aqui, a grande (e quase total) responsabilidade é atribuída aos governos que são incapazes de promover e cultivar políticas distributivas.

Para que os ricos não sejam obrigados a esconder-se e os mais pobres tenham a real oportunidade de se lhes juntar. Sem refúgios.

*Editora da edição portuguesa do Plataforma

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