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Que desenvolvimento futuro e internacional para as universidades portuguesas?

A recente decisão do Governo português de aumentar o número de vagas nas escolas públicas de medicina parece ter aberto um debate entre as necessidades de saúde pública mencionadas pelo Governo e as atitudes dos órgãos ordinais que desejam proteger os licenciados em medicina.

Embora ambos os argumentos sejam plausíveis, não parecem abordar a raiz do problema: Que desenvolvimento futuro e internacional para as universidades públicas e privadas portuguesas? Quais são as consequências para a economia e a demografia profissional?

Embora o crescimento das universidades privadas possa ser dificultado pelo baixo número de vagas disponíveis para estudantes estrangeiros, ou pela importância dos investimentos a realizar para a disponibilização dessas vagas, a GEDS, que provou o seu empenho nas universidades parceiras e a qualidade do recrutamento de estudantes, pode eventualmente participar nos esforços das universidades parceiras para os seus investimentos necessários em termos de infra-estruturas, logística ou equipamento.

Voltando à posição do Governo sobre os estudos médicos, só podemos encorajar fortemente o governo nesta posição de abertura. Sim, é necessário ter mais lugares; sim, é necessário acolher estudantes estrangeiros; sim, é necessário pronunciar-se sobre as actuais inconsistências que forçam as universidades privadas portuguesas a encontrar soluções que por vezes não são muito gratificantes para que os seus estudantes possam completar os seus estudos no estrangeiro. O estatuto privado/público de uma instituição não deve ser um tabu ou um pré-requisito para escolhas de formação. Uma universidade privada poderia ensinar medicina, por exemplo, mas para o fazer deve satisfazer três critérios fundamentais: a qualidade do ensino, a internacionalização, mas também a coerência do seu modelo económico e do seu modelo de crescimento. Não se trata de sugerir um crescimento ultraliberal, mas sim um crescimento fundamentado, sério e equilibrado que satisfaça as necessidades tanto da saúde como da educação.

*Conselheiro académico, cirurgião dentista, antigo professor de Cirurgia Dentária na Universidade Paris V-Diderot

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