É difícil definir situação da covid-19 - Plataforma Media

É difícil definir situação da covid-19

Falta de informação, poucos testes e meios reduzidos fazem da situação da pandemia na Guiné-Bissau um cenário difícil de calcular pelas autoridades e analistas.

Desde março foram registados na Guiné-Bissau quase 2.000 casos de infeção pelo novo coronavírus, que já provocou pelo menos 26 vítimas mortais. Com cerca de 1,7 milhões de habitantes, as autoridades tentam controlar a pandemia nas regiões do país que são mais pobres, têm mais falta de assistência médica e sanitária e onde se concentra a maioria da população.

A aposta das autoridades é aumentar os testes para avaliar devidamente a situação, que tem a doença formalmente centrada na capital. Mais de 90 por cento dos casos detetados estão no Setor Autónomo de Bissau e há regiões, como o arquipélago dos Bijagós, onde não há registo de qualquer caso, mas que está a sofrer as consequências económicas da pandemia.

Se por um lado, o Centro de Operações de Emergência de Saúde (COES) da Guiné-Bissau considera que poderá haver um abrandamento das contaminações, por outro, admite que a situação está por definir.

“Neste momento, tendo em conta os últimos resultados, estamos a abrandar, apesar de não termos capacidade laboratorial. A situação nas regiões é difícil de controlar e de definir”, disse o coordenador do COES, o médico Dionísio Cumba.

Dionísio Cumba disse estar otimista em relação a um abrandamento do número de contágios, defendendo que “é preciso começar a testar a população por categorias específicas e com isso conseguir ter a noção real da situação”.

A ideia é começar a testar por categorias, incluindo pessoas com diabetes ou com o vírus da Sida. “Isso também vai acontecer nas regiões”, disse.

Segundo o médico “há desleixo e preguiça em setores da população para fazer o seguimento, e as medidas não estão a ter grande impacto. As pessoas não andam de máscara”, lamentou. Apesar do estado de emergência em vigor até 25 de julho, as autoridades aliviaram as medidas restritivas, acabando com o recolher obrigatório e um horário de circulação para as pessoas.

Os locais de culto também abriram, mas o Governo manteve como obrigatório o uso de máscara e o distanciamento social, impondo multas para quem não cumprir as regras. O regresso às aulas estava previsto para esta semana de julho, mas foi cancelado por não estarem reunidas as condições de segurança necessárias.

“Continuamos a ter grandes problemas e nem as forças de segurança estão a conseguir impor as regras”, disse o médico guineense.

O primeiro-ministro, Nuno Gomes Nabian, assegurou que o Governo e o país estão a lidar com a covid-19 da melhor forma possível. “Não há nenhum país do mundo que diga que venceu a covid-19. Estamos a dar o nosso máximo. Há momentos em que parece estar tudo a andar bem e há momento em que há um aumento do número de infetados”, lembrou.

Para o chefe do Governo é preciso continuar a sensibilizar as pessoas para que compreendam que a doença existe e que tem consequências graves para a sociedade. Nuno Gomes Nabian, bem como alguns membros do seu Governo, estão entre os guineenses que tiveram covid-19 e que conseguiram recuperar da doença.

“A Guiné-Bissau é um país frágil, o que nos põem na posição de trabalhar mais. Temos dificuldades enormes”, explicou.

Dificuldades que têm sido ultrapassadas com o apoio dos parceiros internacionais através da entrega de material médico e medicamentos de combate à doença.

A China, por exemplo, já entregou dois lotes de material, incluindo milhares de testes e máscaras. A União Europeia deverá fazer chegar em breve ao país mais apoio composto de material e equipamento médico.

“Não digo que está controlável, mas está a andar”, afirmou Nuno Gomes Nabian, salientando que estão a tentar tudo o que é possível para conter e prevenir a doença. Disse também que há uma possibilidade de abrir as fronteiras aéreas ainda este mês, mas tudo depende das orientações da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO).Apesar da abertura das fronteiras obrigar a “mais trabalho” e a um “maior controlo”, o político considerou que isso é importante pela economia. “Temos de encontrar um ponto de equilíbrio entre o estancar a doença e permitir que a economia funcione, porque vamos entrar numa outra situação que é a fome”, advertiu.

Com uma economia assente na exportação da castanha de caju, da qual depende direta ou indiretamente mais de 80 por cento da população guineense, as previsões económicas para a Guiné-Bissau não são otimistas.

O mercado não está a funcionar, o Estado já perdeu milhões em receitas e a economia deve cair entre 1,5 por cento e 3,1 por cento este ano.

O futuro vai depender da capacidade dos guineenses cumprirem com as regras de prevenção e combate à covid-19 e da própria evolução da doença no mundo

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