Mayor de Kaoshiung cai em referendo histórico - Plataforma Media

Mayor de Kaoshiung cai em referendo histórico

Han Kuo-yu, Mayor de Kaohsiung, a segunda cidade mais importante de Taiwan, foi arredado do cargo num referendo realizado no passado sábado. 

Participaram na consulta popular 969 mil votantes, entre os 2,2 milhões de inscritos. Do total de votantes, 939 mil (97,40 por cento) votou a favor da perda de mandato, contra apenas 25 mil (2,60 por cento) que votaram pela continuidade de funções. Registaram-se ainda 5 mil boletins brancos ou nulos.

Han, membro do partido nacionalista Kuomintang, tornou-se assim no primeiro líder municipal a perder o mandato através do voto popular, em Taiwan. O autarca tinha concorrido no início do ano à presidência de Taiwan, sendo então visto como “salvador do partido”, chegando a liderar as intenções de voto. Perdeu para Tsai Ingwen, do Partido Democrático Progressista (DPP).

Na qualidade de Mayor de Kaoshiung, Han Kuo-yu chegou a visitar Hong Kong e Macau. Comentadores de Macau contactados pelo PLATAFORMA apontaram a “personalidade apressada” como causa para a derrota no referendo. 

Camões Tam, que estudou no Instituto Superior de Estudos Asiáticos da Universidade Nacional Cheng-Chi, em Taiwan, onde chegou a trabalhar com Han Kuo-yu, considerou que o antigo autarca conseguiu vários sucessos políticos, fazendo “o que tinha de ser feito”.

“O problema é que Han Kuo-yu estava com demasiada pressa para ser eleito presidente, e não era fácil conseguir que Kaohsiung recuperasse. Precisava de ter trabalhado com calma ao longo dos quatro anos de mandato, acumulando mais popularidade, mas o ponto fraco de Han é a sua falta de paciência.”

Há um dado relevante na votação do passado sábado. O autarca recolheu 939 mil votos a favor da saída, um valor superior aos 892 mil que tinha conseguido na eleição para presidente da câmara. Camões Tam disse acreditar que estes resultados estão relacionados com a campanha do DPP: “Tsai Ingwen conseguiu derrotar, de novo, o grande adversário, Han Kuo-yu”. Para Tam, os 939 mil votos contra a continuidade de Han à frente de Kaoshiung estão divididos em 3 categorias: votos de apoiantes do DPP, votos no seguimento do incentivo de Tsai a que os mais jovens retornassem à terra natal para votar, e votos de locais de Kaohsiung que acreditam que Han Kuo-yu não mostrou resultados depois de eleito Mayor. 

No ano passado, em 2019, Han Kuo-yu passou por Hong Kong e Macau enquanto Mayor. Durante a visita ao território reuniu-se com o então Chefe do Executivo Fernando Chui Sai-on, com o presidente do Gabinete de Ligação de Macau, Fu Ziyin, tendo assinado um acordo de cooperação comercial entre a região e Kaohsiung no valor de 188 milhões. O autarca deslocou-se ainda à Universidade de Macau e o Jockey Club. Para Tam, depois deste referendo, as futuras relações entre Macau e Kaohsiung só serão confirmadas após a eleição do próximo presidente da câmara, num sufrágio marcado para daqui a três meses. “Grande parte das entidades oficiais de Macau quer relações comerciais com a ilha, mas Macau a este respeito segue as medidas aplicadas pelo Governo central, que são pouco flexíveis”, acentuou. Todavia, Tam admitiu que políticas que foram já anteriormente lançadas, como a rota aérea Taiwan-Macau, irão continuar. 

Já Elio Yu, professor associado do Departamento de Governação e Administração da Universidade de Macau, disse acreditar que a relação entre as duas partes e a demissão de Han irão claramente afetar a execução do acordo de cooperação com Macau, assinado em 2019.

“O impacto deste acordo nas importações de Macau de Kaohsiung deverá ser secundário, uma vez que o mais importante era olhar para a ligação entre as duas cidades como um primeiro passo para melhorar as relações entre ambas as regiões. Mas com esta demissão, essa função desaparecerá”, previu.

Não é a primeira vez que Han Kuo-yu, de 64 anos, enfrenta uma situação desfavorável. Em 1994 foi também um dos quatro legisladores que um grupo antinuclear tentou afastar após o Parlamento de Taiwan ter aprovado um orçamento no valor de 100 mil milhões para a Central Nuclear nº4. Nessa ocasião Han Kuo-yu recolheu 21,36 por cento dos votos numa ação lançada para o demitir do parlamento, percentagem aquém do limite legal necessário para ser vinculativa. Em 2018, concorreu ao município de Kaohsiung com o slogan “Enriquecer Kaohsiung”, enfrentado o DPP que assumia há mais de 20 anos liderança sobre a região. Conseguiu recolher 892 mil votos, superando o adversário do DPP Chen Chi-mai, o qual não foi além dos 742 mil. Em outubro de 2019, antes de finalizar o mandato de quatro anos como presidente da câmara, Han Kuo-yu anunciou a candidatura às eleições presidenciais de 2020, “para não deixar que a República da China fosse arruinada”. Os 5,52 milhões de votos alcançados foram insuficientes para ascender à presidência, regressando a Kaohsiung onde a população ditou agora a sua demissão. 

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